Exportação de algodão depende de subsídio oficial

Agronegócio

Exportação de algodão depende de subsídio oficial

O preço da fibra depositada no porto está abaixo do valor acertado no mercado interno
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O preço da fibra depositada no porto está abaixo do valor negociado no mercado interno. O subsídio do governo é que vai garantir a exportação de algodão contratada antecipadamente. Com o atual patamar do câmbio, a paridade de exportação está abaixo do preço no mercado interno, desestimulando o envio do produto para o exterior. Até o momento, os embarques estão quase 30% menores que o volume comercializado no ano passado - 81 mil toneladas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo estimativas de analistas de mercado, cerca de 60% da safra foi comercializada antecipadamente, sendo 550 mil toneladas destinadas à exportação. Os contratos foram travados até dois anos antes da colheita, com preços que variaram em até a US$ 0,60 a libra-peso, quando o dólar estava acima de R$ 2. Pelos cálculos do Centro do Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), a paridade de exportação hoje é de R$ 0,90 a libra-peso para um preço médio de R$ 1,15 a libra-peso em São Paulo e entre R$ 1,05 e R$ 1,10 a libra-peso no Centro-Oeste e Bahia.

"Os patamares atuais deixam o mercado interno mais atrativo, mas ao mesmo tempo os produtores têm necessidade de cumprir os contratos de exportação", diz Lucílio Alves, pesquisador do Cepea/USP. Em média, o subsídio governamental foi de R$ 0,25 por libra-peso, atendendo a cerca de metade da safra, de 1,4 milhão de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 1,4 milhão de toneladas de pluma. "A intervenção do governo é que vai garantir o cumprimento da exportação", afirma Alves.

A média de preço praticada em junho é a menor da década (em valores deflacionados) e está abaixo do custo de produção - o preço mínimo do governo é de R$ 1,35 a libra-peso. "O produtor está tendo prejuízo", avalia Alves. No entanto, neste mês de junho, as cotações estão praticamente estáveis - depois de caírem cerca de 15% em maio. "O preço chegou a um limite para o produtor, que não quer vender abaixo disso", diz Miguel Biegai Júnior, analista da Safras & Mercado. A redução anterior foi decorrente de entrada da safra - estima-se que cerca de um quarto da produção tenha sido colhida - e da entrada de importados. "Agora o cotonicultor está com menor necessidade de venda", afirma Alves.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em Mato Grosso cerca de 15% da safra foi colhida e na Bahia, 30%. Em Mato Grosso do Sul a colheita acabou no Sul do estado, com quebra de 10% em virtude da estiagem. Apesar da ocorrência de bicudo nas lavouras, os principais estados produtores não detectaram perdas pela incidência da praga.


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