Exportação de milho do Brasil deve crescer 30% em 2010

Agronegócio

Exportação de milho do Brasil deve crescer 30% em 2010

Com redução da safra dos EUA, demanda pelo cereal brasileiro continua firme
Por: -Roberto Samora
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As exportações de milho do Brasil deverão fechar 2010 com aumento de cerca de 30 por cento em relação a 2009, para aproximadamente 10 milhões de toneladas, com os embarques ficando atrás apenas do recorde de vendas do país obtido em 2007, segundo fontes do setor.

E a demanda pelo cereal brasileiro, em meio a uma redução na safra de milho dos Estados Unidos, maior produtor global, continua firme, com atípicas ofertas de importadores para entregas no ano que vem.

"Uma coisa interessante é que compradores estão lançando ofertas para setembro do ano que vem. Isso não é comum, é um sinal muito forte de demanda. Há compradores oferecendo 237 dólares por tonelada no porto de Paranaguá para setembro, contra 257 dólares das ofertas atuais", afirmou nesta terça-feira Daniele Siqueira, analista da Agência Rural.

Esses valores, acima de negócios feitos anteriormente, foram ofertados antes da disparada dos preços registrada nesta terça (9), após o governo dos EUA reduzir mais a sua projeção de safra de milho em 2010.

Na bolsa de Chicago, o primeiro contrato chegou a registrar, no início dos negócios, o maior valor desde agosto de 2008, indicador favorável de preços para o Brasil manter firmes suas exportações em 2011.

Apesar de haver importadores interessados em comprar antecipadamente o milho do Brasil, os negócios não estão sendo fechados. Na verdade, nem transações para pronta entrega têm sido realizadas nos últimos dias, pois no momento os produtores estão segurando o milho, na expectativa de obterem maiores lucros diante de um cenário altista para a commodity, completou Daniele.

Nas exportações previstas do Brasil para serem realizadas até o final do ano e início do ano que vem, os negócios foram fechados em meses anteriores.

Se há um rali no mercado internacional, no Brasil a safra de verão sendo plantada está estimada para ter a menor área da história, com produtores dedicando mais terras para a soja e deixando o cereal para ser cultivado na segunda safra.

"E existe ainda o medo do impacto do La Niña na produtividade", acrescentou a analista, referindo-se a eventuais secas provocadas pelo fenômeno climático que podem elevar ainda mais as cotações.

No mercado interno, segundo dados do Cepea, o milho atingiu o maior valor nominal na região de Campinas desde julho de 2008, a 27,30 reais por saca de 60 kg, e crescem os comentários de que o governo liberará parte dos estoques públicos para dar alguma folga ao mercado interno.

EXPORTAÇÕES

As exportações de milho realizadas nos últimos meses com registro de recorde histórico mensal em setembro, de quase 2 milhões de toneladas, e outras 1,5 milhão de toneladas em outubro elevaram as vendas do país para 7 milhões de toneladas no acumulado de 2010.

Grande parte desses embarques ocorreu com o apoio de um programa do governo (leilões de prêmio de escoamento) que cobre os custos de transporte dos compradores do interior do país até os portos. E os volumes previstos para serem exportados em novembro, dezembro e nos primeiros meses de 2011 também acontecerão com o auxílio do chamado PEP.

"Há boas chances de fecharmos o ano com 10 (milhões de toneladas)... Se o fluxo for bom até 15 de dezembro, e for bem em novembro, de repente dá pra fazer no ano calendário 10 milhões", afirmou um trader de uma multinacional que trabalha com exportações do cereal.

Ele estima que em novembro os embarques, pela programação dos navios nos portos, ficarão entre 1,5 e 2 milhões de toneladas, com um volume semelhante em dezembro.

Dessa forma, as vendas do país no ano ficariam um pouco abaixo do recorde de 10,7 milhões de toneladas de 2007. Mas nos primeiros meses de 2011 as exportações continuarão fortes e serão maiores do que as registradas no início de 2008, notou a fonte, que pediu para não ser identificada, lembrando que o PEP apoiou negócios em torno de 9,5 milhões de toneladas.

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