Exportação de milho e chuva causam filas e revoltam caminhoneiros no Paraná
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Agronegócio

Exportação de milho e chuva causam filas e revoltam caminhoneiros no Paraná

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Exportações de milho em ritmo intenso e chuvas que desde sexta-feira impedem os navios de operarem. A conjugação desses dois fatores provocou ontem fila de 20 quilômetros em Paranaguá, na BR-277, acesso ao porto. Mas, para caminhoneiros e para a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), o fato de os exportadores mandarem carretas para o porto sem a previsão de embarque – utilizando os veículos como armazém – é que contribuiu para o congestionamento.

O acúmulo de caminhões no Pátio de Triagem do Porto de Paranaguá revoltou os caminhoneiros. No início da noite, o superintendente da Appa, Eduardo Requião, foi até o local com o intuito de acalmar os ânimos dos condutores e obrigar os operadores portuários a receberem os veículos que tinham chegado a Paranaguá. "Os terminais alegam não ter espaço, e por isso não estão permitindo a descarga. Só que, a partir de agora, caminhão que descer a serra vai ter que descarregar."

A fila na BR-277 surpreendeu os motoristas. O curitibano Darci Paloma, que levava milho de Mafra (SC) para o porto, chegou ao meio-dia na fila e esperava descarregar somente hoje cedo. "Os produtores precisam desocupar os armazéns para colocar a soja e agora estão exportando o milho que sobrou", diz. "Se está assim agora, imagine quando for época da safra."

O caminhoneiro Márcio Savaris, de Laranjeiras do Sul, carregava soja do município de Lucas do Rio Verde (Mato Grosso). Ele conta que está viajando há um mês. "Levei milho para o Nordeste, voltei com sal e fui até Mato Grosso buscar soja. Aqui era para ser o fim da viagem. Não esperava essa fila toda" Os filhos, Larissa, 4 anos, e Ângelo Savaris Neto, 6 anos, e a mulher, Marilda, o acompanham. Nas paradas, o caminhoneiro e Marilda se revezam para cozinhar e limpar o caminhão. "É melhor fazer a comida do que comprar na estrada. Tenho de tudo e sempre reabasteço nos mercados onde passamos." Savaris chegou às 11 horas de ontem e acreditava que ficaria até hoje à noite para descarregar.

O caminhoneiro gaúcho Gilberto Garavaglia chegou domingo, por volta das 17 horas, na fila para o porto. Ontem, às 13h30, estava no portão do pátio. "Ainda não tenho previsão de descarregar, está tudo parado", afirmou. Garavaglia também leva soja de Lucas do Rio Verde para Paranaguá.

Em Curitiba, na reunião de secretários de estado, o titular da Seab e governador em exercício, Orlando Pessuti, e o superintendente da Appa não descartaram a ocorrência de filas, mas disseram que tomariam medidas para amenizar o problema.


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