Exportações americanas de trigo limitam alta nos preços internacionais


Agronegócio

Exportações americanas de trigo limitam alta nos preços internacionais

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A relação de oferta/demanda mundial de trigo continua muito favorável aos preços internacionais neste ano de 2003. Pelo segundo ano consecutivo, a produção mundial deve ficar abaixo da respectiva demanda. Nesta safra 2002/03, o USDA projeta uma produção em torno de 566,6 milhões ton, contra um consumo de 595,2 milhões ton. Com isso, os estoques mundiais de trigo serão reduzidos de 200,0 para 171,5 milhões ton nesta safra.

A queda na oferta mundial será basicamente reflexo da menor safra entre os principais países produtores, tais como EUA, China, Argentina, Austrália e Canadá. Além da respectiva queda na oferta, os principais países exportadores de trigo também venderão menos produto nesta safra 2002/03, abrindo mercados para outros países, os quais até o momento eram inexpressivos na comercialização internacional, como é o caso da Ucrânia e Rússia.

Mas a variável de destaque nesta safra tem sido realmente o baixo nível das exportações de trigo por parte dos Estados Unidos. A redução da demanda mundial pelo trigo americano tem sido praticamente o único fator limitante a maiores altas nas cotações internacionais do trigo. Os EUA produzem atualmente 7% de todo o volume mundial e participam com cerca de 24% do total das exportações mundiais. Mas sua participação no comércio internacional pode recuar nesta safra face ao incremento da competitividade de outros países, especialmente os asiáticos.

O USDA projeta que no acumulado desta safra, as exportações americanas alcançarão cerca de 24,49 milhões ton, contra 26,16 milhões ton em 2001/02, uma queda de apenas 6%. Mas até no final do último mês de fevereiro, as exportações americanas somaram somente 19,184 milhões ton, contra 21,582 milhões ton no mesmo período do ano passado, o que representa uma queda maior de 11%. Esta diferença entre o projetado pelo USDA e o realmente concretizado no mercado, tem feito com que os traders na Bolsa de Chicago operem com uma certa cautela, visto que o USDA pode revisar para baixo a sua projeção em um de seus próximos relatórios mensais de oferta/demanda mundial.

As cotações de segunda posição na Bolsa de Chicago chegaram a superar US$ 150,0/ton entre outubro e novembro do ano passado. Mas com o baixo ritmo das vendas americanas, atualmente estão indicadas em US$ 115,0/ton, ainda assim, 11% acima dos níveis registrados neste mesmo período no ano passado.

O mercado na Argentina tem sido parcialmente afetado pelas cotações na Bolsa de Chicago. A diferença entre os indicadores FOB na Argentina e os níveis de segunda posição em Chicago que foi de apenas US$ 8,00/ton em março de 2002, atualmente já atinge US$ 38,00/ton. Basicamente, este "descolamento" entre o mercado argentino e a Bolsa de Chicago é resultado da menor produção neste ano no país vizinho e conseqüentemente em suas exportações.

Trigo - cotações (US$/ton)

FOB Argentina 2ª posição Chicago

mar/02 112 104

mar/03 153 115

Var (%) 37 11

Nesta safra, quase 80% do volume exportado pela Argentina até o final de fevereiro foi destinado ao Brasil. A alta dependência brasileira ao mercado argentino é outro fator que vem contribuindo para os altos níveis de preços neste país. A predominância e a proteção do trigo argentino é ainda excessivamente alta no mercado brasileiro, impedindo qualquer tipo de concorrência com outros países.

As cotações do trigo pão na Argentina estão indicadas a US$ 153,0/ton FOB porto origem. A partir do escoamento da safra na Argentina e da entrada do período de entressafra, este valor tende a aumentar gradativamente, o que na verdade, já vem acontecendo desde o início deste ano. Certamente haverá um limite de alta no Mercosul, determinado tanto pelo trigo americano quanto pelo produto asiático, ambos importados em quantidades já razoáveis pela indústria brasileira no ano passado.

A paridade de importação estimada para o trigo pão argentino está em US$ 181,0/ton posto porto Brasil, cerca de R$ 633,0/ton ao dólar atual (R$ 38,00/60 kg).

Pela paridade histórica com o mercado argentino, os preços nas regiões produtoras do Paraná deveriam estar atualmente em torno de R$ 527,0/ton (R$ 31,60/60 kg), valor este indicado e recomendado pela SoloBrazil como base mínima para a comercialização atual do trigo neste Estado. Mas os indicadores de preços no Paraná ainda estão em média a R$ 495,0/ton.


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