Exportações de couros em 2011 somaram US$ 2,05 bilhões
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Agronegócio

Exportações de couros em 2011 somaram US$ 2,05 bilhões

A receita com as exportações brasileiras de couros cresceu 17% em relação a 2010
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A receita com as exportações brasileiras de couros cresceu 17% em relação a 2010, e ficou dentro da previsão do setor; a indústria, entretanto, vê 2012 com apreensão, preocupada com os efeitos da crise econômica internacional

As exportações brasileiras de couros e peles, em 2011, movimentaram US$ 2,05 bilhões, embarcando 352,2 mil toneladas. Esse total representa um aumento de 17% em relação a 2010, quando o setor apurou US$ 1,74 bilhão, segundo dados contabilizados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com base no balanço da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em dezembro, a receita das vendas externas de couros e peles foi de US$ 161,16 milhões, estável em relação ao mesmo mês do ano passado e acréscimo de 1% ante o mês anterior.

“A despeito da recuperação do valor das exportações, os 26,7 milhões de couros bovinos embarcados em 2011 ficaram 2% abaixo do que o volume das vendas do ano anterior. E, embora a receita apurada esteja dentro da estimativa do setor, a crise econômica internacional que atinge a Europa, Estados Unidos e agora chega à China, deve tornar os negócios mais difíceis em 2012”, explica o presidente do CICB, Wolfgang Goerlich.

Segundo o executivo, houve recuo de pedidos no último trimestre do ano passado, sendo que as exportações de dezembro ainda foram realizadas com base em contratos anteriores.

“E o mercado interno dificilmente terá fôlego para absorver eventuais perdas na exportação, pois está saturado e ainda enfrenta crescente substituição do couro nos calçados por produtos alternativos, visando uma competição de preço”, observa.

Paralelamente, outros gargalos agravam as dificuldades da indústria nacional, salienta Goerlich, a exemplo dos já conhecidos Custo Brasil: a elevada carga tributária, as altas taxas de juros, a falta de linhas de crédito para capital de giro e a excessiva burocracia, dentre outros obstáculos.

I Congresso Mundial confere projeção internacional ao couro brasileiro
Evento, realizado em novembro, no Rio de Janeiro, reuniu mais de 350 especialistas, empresários, estilistas e técnicos internacionais

A despeito dos desafios e obstáculos enfrentados, a indústria do couro vem aumentando a sua importância e contribuição econômica para a própria balança comercial brasileira, cuja participação representou 6,86% do saldo registrado em 2011.

Segundo dados do Relatório do CICB, o perfil das exportações brasileiras por tipo de couro no ano passado, nos produtos acabados, foi de 57%, em receita, e 42% em volume.

Já nos últimos 11 anos o avanço do setor curtidor registrou aumento de 465% no porcentual da receita obtida com a produção de couros crust e acabados, produtos de maior valor agregado, passando de US$ 318 milhões (2000) para US$ 1,48 bilhão (2011).


Importante para a economia brasileira, o couro também conferiu projeção internacional ao País, com a realização do I Congresso Mundial do Couro, promovido pelo CICB no Rio de Janeiro, em novembro. O presidente da entidade, Wolfgang Goerlich, destaca o impacto do evento:

“O Congresso, realizado em parceria com o International Council of Tanners (ICT, sigla em inglês para Conselho Internacional dos Curtumes), em conjunto com a Couromoda, contou com a participação de 356 técnicos, empresários e estilistas de 26 países, demonstrando a importância do Brasil como um dos destacados players da indústria curtidora”, diz Goerlich.

Além da realização do congresso, o presidente do CICB também atribui a boa imagem do couro brasileiro no exterior à promoção do programa “Brazilian Leather”, conduzido em parceria com a Apex-Brasil, agência vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “Estas ações estão se tornando referência no setor e seus resultados positivos já refletem na imagem positiva do nosso produto e nas vendas externas”, afirma o executivo.


China+Hong Kong, Itália e Estados Unidos foram os principais destinos do couro nacional em 2011; Brasil também aumenta embarques para a Alemanha, Coréia do Sul, México, Vietnã, Hungria, Taiwan, Tailândia e Uruguai

No ano passado, os principais destinos do produto nacional foram a China e Hong Kong, com US$ 615 milhões; 30,1% de participação e crescimento de 10% ante 2010; Itália (US$ 456,9 milhões, 22,3% de participação e elevação de 18%); e Estados Unidos, US$ 229,48 milhões, (11,2% e aumento de 21%).
Nos doze meses de 2011, Alemanha (US$ 88,88 milhões, 4,3% de participação e crescimento de 60%), Coréia do Sul (US$ 65,18 milhões, 3,2% e aumento de 36%), México (US$ 59,41 milhões, incremento de 42%), Vietnã (US$ 58,3 milhões, elevação de 13%) e Hungria (US$ 44,15 milhões, 152%) foram outros importantes destinos das exportações brasileiras.

Entre outros países que aumentaram as compras do couro nacional no período figuram Taiwan (US$ 36,7 milhões, 91%), Tailândia (US$ 34,47 milhões, 17%) e Uruguai (US$ 22,78 milhões, 187%).

Ranking dos dez maiores estados exportadores em 2011

O balanço das vendas externas de couros dos estados brasileiros nos doze meses do ano passado em relação a 2010 informa que os principais exportadores são Rio Grande do Sul (US$ 492,22 milhões, 24,1% de participação) e São Paulo (US$ 442,38, 21,6% de participação), seguido pelo Paraná (US$ 227,8 milhões, 11,1%), Goiás (US$ 191,82 milhões, 9,4%) e Ceará (US$ 184,13 milhões, 9%).


Os demais estados são Bahia (US$ 128,74 milhões, 6,3%), Minas Gerais (US$ 98,6 milhões, 4,8%), Mato Grosso (US$ 87,52 milhões, 4,3%), Mato Grosso do Sul (US$ 78,2 milhões, 3,8%) e Santa Catarina (US$ 51,87 milhões, 2,5%).

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