Exportações impulsionam a agroindústria


Agronegócio

Exportações impulsionam a agroindústria

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As exportações ganharam mais importância no desempenho das empresas produtoras de frangos e suínos no Brasil. Já chegam a responder de quase a metade até por mais de dois terços do faturamento anual das grandes companhias do setor. No balanço de 2002 da Sadia, o mercado externo correspondeu a cerca de 42% da receita total. No faturamento da Perdigão, mais de 40% também são originados das exportações. A parcela das remessas ao exterior na receita total da Seara salta acima de 70%.

As estratégias internacionais das empresas e a desvalorização cambial da moeda brasileira, que vem ocorrendo nos últimos anos, impulsionaram os embarques dos produtos. "A desvalorização passou a ser um ótimo negócio para as exportações das empresas, que já vêm considerando o mercado internacional como um dos seus principais focos", disse Daniel Pasquali, analista da Fator Doria Atherino Corretora de Valores.

O enfraquecimento do consumo interno foi outro motivador para as empresas buscarem margens no exterior. "Dólar mais viável e mercado nacional comprimido tornam as exportações mais atraentes", explica um trader de uma importante empresa exportadora do setor. Segundo ele, as vendas externas entram também como uma compensação aos preços elevados dos insumos de aves e de suínos, que foram registrados no Brasil no ano passado. "As empresas buscam os preços dolarizados, já que tem seus custos também dolarizados."

O crescimento de 29% da receita de exportação da Sadia, no ano passado, foi promovido pela taxa de câmbio favorável e expansão do volume embarcado. A companhia, uma das maiores do setor, exportou 585 mil toneladas em 2002, 23,9% a mais do que no ano anterior. Foram a superoferta de proteínas animais e a conseqüente depreciação dos preços internacionais que levaram a empresa a priorizar o aumento de volumes, de acordo com a Sadia. As vendas externas da companhia, em 2002, chegaram a R$ 1,96 bilhão, o equivalente a 41,8% do faturamento em igual período, de R$ 4,69 bilhões. No ano anterior, a parcela das exportações foi de 38%.

Com mais mercadorias para exportação, a Sadia aumentou sua presença no varejo europeu, consolidou sua presença nos mercado do Japão e da China, além de entrar no Pacífico Sul. Apesar dos preços deprimidos lá fora, a Sadia intensificou suas operações no mercado internacional e atendeu a mais de 65 países. No segmento de suínos, foi o mercado russo, em expansão desde 2000, o principal alavancador das exportações da companhia. As remessas totais de suínos, em 2002, apresentaram um incremento de 74,3%, e a de aves, de 19,2%.

No desempenho da Perdigão, as exportações também estão ganhando peso. Para 2002, a companhia, que ainda não divulgou seu balanço do ano passado, estima que a receita supere o patamar de R$ 1,2 bilhão, o que representa 41% do faturamento líquido da empresa. Em 2001, a Perdigão contabilizou um montante de R$ 1,035 bilhão, com as exportações de 339 mil toneladas. No ano passado, foram mais de 40 países compradores dos produtos da companhia, que importaram R$ 831,4 milhões entre janeiro e setembro de igual período.

Neste ano, os planos da Perdigão são de fortalecer as estratégias para o mercado internacional, como o aumento dos embarques em 16% e expansão de 20% na receita. A expectativa está apoiada na reestruturação da área de exportação da empresa, com previsão de encerrar no final de fevereiro. O projeto, batizado de Exporta Sim e há um ano em desenvolvimento junto com as consultorias Ernst & Young e Booz Allen, reordenou a gerência internacional da Perdigão.

Além de responder por R$ 1,25 bilhão, o correspondente a 72,2% do faturamento de R$ 1,73 bilhão em 2002, as remessas da Seara devem expandir ainda mais neste ano e confirmar a vocação exportadora da empresa. Para 2003, a companhia planeja investir R$ 65 milhões, dos quais R$ 15 milhões serão utilizados na duplicação da capacidade de produção da fábrica de carnes processadas de frango destinadas ao mercado externo. As exportações devem responder por no mínimo 70% da receita total da Seara, com a abertura de novos mercados, segundo previsão do diretor administrativo financeiro e de relação com os investidores, Ivo José Dreher.

As exportações da companhia, aumentaram 44% em 2002. A expansão foi causada pela elevada taxa de câmbio e crescimento de 38,7% dos embarques para 390,1 mil toneladas. A Rússia também foi protagonista do salto das exportações de suínos da Seara. "As vendas externas de carne suína cresceram 67,4% (em volume), sendo que 90% desse crescimento deve-se à Rússia", diz Dreher. "Já as exportações de frango, que subiram 28,9%, aumentaram para todos os mercados", conta.


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