Exportações para a Argentina começam a acelerar


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Exportações para a Argentina começam a acelerar

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Passados dois anos marcados por grandes perdas na Argentina, os exportadores gaúchos começam a recuperar os prejuízos no mercado vizinho. As vendas triplicaram no primeiro trimestre deste ano, passando de US$ 34,1 milhões em 2001 para US$ 102,2 milhões entre janeiro e março.

Diversos setores do Rio Grande do Sul estão sendo beneficiados pela retomada argentina. "Os negócios estão aumentando", relata o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast), César Codorniz.

Os principais produtos deste segmento que estão entrando no país vizinho, cita Codorniz, são embalagens, móveis, utilidades domésticas e componentes para a construção civil. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), as exportações da indústria plástica para a Argentina subiram de US$ 7,1 milhões no primeiro trimestre de 2002 para US$ 24 milhões no mesmo período deste ano.

Os produtores de máquinas para a agricultura também sentem diferença nas vendas para o parceiro. Este segmento foi o grande responsável pela elevação de US$ 4 milhões para US$ 29,2 milhões nas exportações do ramo de metal-mecânica no primeiro trimestre. "As exportações agrícolas daquele país estão crescendo, e eles precisam de equipamentos que não estão mais sendo produzidos pela indústria local", explica o presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers), Claúdio Bier.

A AGCO, fabricante destes equipamentos instalada em Canos e Santa Rosa, vai ampliar em 25% a produção de colheitadeiras somente para atender a demanda argentina. A empresa tinha três unidades no país vizinho, que foram fechadas por causa da crise econômica.

Em 2002, foram vendidos menos de mil tratores, volume que deve superar 3,5 mil este ano. A comercialização de colheitadeiras para a Argentina também vai aumentar de 450 unidades para 1,2 mil até o final de 2003.

As empresas da indústria da borracha que continuaram buscando negócios no mercado vizinho durante a crise agora estão colhendo os benefícios. A informação é do presidente do Sindicato da Indústria de Artefatos da Borracha do Rio Grande do Sul (Sinborsul), Geraldo Fonseca. "Aos poucos, vão aparecendo clientes melhores", observa.

À medida que o mercado vai se movimentando, diz Fonseca, a indústria local tem que ser abastecida. "Como eles deixaram de produzir muitas coisas internamente, não têm oferta local e acabam tendo que importar", ressalta o dirigente. Os números da Fiergs mostram que as vendas de borracha para o parceiro no Mercosul, que eram de US$ 860 mil entre janeiro e março do ano passado subiram para US$ 4,2 milhões neste primeiro trimestre.

Exportações de calçados quase duplicaram no trimestre

Os calçadistas também registram bons resultados no mercado que já foi um consumidor de peso do produto brasileiro. As exportações quase duplicaram em relação aos três primeiros meses de 2002, passando de US$ 2,57 milhões para US$ 4,6 milhões.

Outro segmento beneficiado é a indústria siderúrgica. No final do ano passado, o vice-presidente executivo da Gerdau, Osvaldo Schirmer já relatava sinais de movimentação da economia argentina e nas vendas da empresa naquele país. A Fiergs informa um aumento de mais de R$ 1 milhão nas exportações do ramo de metalurgia para aquele país.

Segundo o presidente da entidade, Renan Proença, a Argentina teve papel fundamental para o aumento das exportações gaúchas no trimestre, de 25,3%. "Foi o país com maior aumento nas importações dos nossos produtos", explica. Mesmo tendo importado US$ 102,2 milhões do Estado, Proença alerta que o resultado poderia ser muito maior. "Se o ritmo de antes da crise tivesse se mantido, essas vendas poderia chegar a US$ 150 milhões", projeta.

Apesar da recuperação lenta, as expectativas são positivas. "Acredito que passadas as eleições presidenciais poderá ser feito um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", destaca Codorniz. Ele lembra que a injeção de recursos externos é fundamental para que a economia argentina realmente supere a crise.

Se o aporte financeiro se concretizar, outros segmentos exportadores gaúchos colherão os frutos. Um deles é o de metal-mecânica, que, por vender produtos com alto valor agregado, depende da existência de crédito naquele país para financiar as importações. A situação se repete no caso da indústria de material de transporte.

A Argentina está há mais de dois anos tentando o acordo com o FMI, mas até agora não conseguiu cumprir as exigências do Fundo para liberar os recursos. Entre estes requisitos estão o corte de gastos do governo e eliminação do resultado negativo nas contas públicas.

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