Exportador paga menos pela soja "esverdeada"

Agronegócio

Exportador paga menos pela soja "esverdeada"

Para o mercado, a presença de soja esverdeada na produção deste ano representa perda de qualidade
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Os produtores de soja que já iniciaram a colheita estão sendo surpreendidos com a elevada porcentagem de grãos esverdeados na produção deste ano. A mudança na cor de uma parcela dos grãos é fruto de uma degeneração da lavoura, fruto do mecanismo de proteção da planta diante da agressão provocada pelo sol forte e pelo calor excessivo nesta safra, conforme explica o pesquisador Luiz Carlos Miranda, gerente de Negócios da Embrapa Transferência de Tecnologia, de Londrina (PR). O resultado da alteração é a perda de proteína, que, pela ação desse fenômeno, transforma-se em ácido graxo.

Para o mercado, a presença de soja esverdeada na produção deste ano representa perda de qualidade. "Em vez de óleo, obtém-se graxa", explicou Miranda. Em índices acima de 10%, o óleo torna-se turvo, mesmo depois de submetido ao refino. Nessa parcela da produção, o teor de proteína cai de 48%, que é a porcentagem normal da soja, para 36%. O prejuízo maior se dá no farelo, cujo teor de proteína cai para abaixo de 62% e, por isso, é rejeitado ou depreciado pelo mercado.

O diretor geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, confirmou a presença de índice elevado de soja esverdeada na safra deste ano. Segundo esclareceu, as normas de classificação da soja para este ano ainda estão sendo definidas. Mas já é quase certo que será estabelecido um deságio para compensar as perdas provocadas por essa alteração das características do grão.

Sem esperar pela regulamentação da Anec, o mercado se antecipou e definiu que rejeitará toda a soja esverdeada acima de 10% do volume negociado. Significa que o produtor só receberá pela totalidade da produção se o índice do grão esverdeado for igual ou menor o que 10%. De acordo com operadores do mercado de soja, a incidência de grãos esverdeados é maior nas cargas originárias do Mato Grosso do Sul, Paraguai e de São Paulo. A soja colhida no Paraná não apresenta a mesma alteração.

Para esses operadores de mercado, apenas as empresas exportadoras estão depreciando a soja esverdeada. Segundo informaram, as indústrias esmagadoras de soja brasileiras se mostram bem mais tolerantes. Como muitas dessas empresas são credoras dos produtores de soja, porque adiantaram recursos para financiar as lavouras, mediante o compromisso da entrega da colheita, não têm interesse em desvalorizar o produto.

Miranda esclareceu que o grão esverdeado está sendo incorretamente denominado de soja com clorofila, mas, segundo informou, na realidade o produto é fruto de uma degeneração.


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