Faesc quer apoio político e o fim dos conflitos agrários em 2012
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Agronegócio

Faesc quer apoio político e o fim dos conflitos agrários em 2012

Por:
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, assumiu em Brasília o cargo de vice-presidente de Secretaria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Natural de Campos Novos (SC), vinculado ao associativismo há 35 anos, Pedrozo, 70 anos, graduou-se em Administração de Empresas.


Ostentando a condição de uma das maiores lideranças do agronegócio do Sul, acumula a presidência da Faesc e do conselho de administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC). Também presidiu a Coopercentral Aurora e o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados de SC (Sindicarne).

Nos primórdios de sua vida comunitária, dirigiu a Cooperativa do Rio do Peixe e o Sindicato Rural de Joaçaba. Na década de 1980/90, cedeu à convocação das cooperativas e elegeu-se deputado estadual por duas legislaturas. Decepcionou-se com a vida parlamentar e desistiu de postular um terceiro mandato, retornando ao seu meio: o sistema cooperativista.

A Faesc congrega 99 Sindicatos filiados, os quais abrangem diretamente 98% dos municípios catarinenses e reúnem 42.420 associados. A classe produtora rural dos municípios com inexistência de Sindicatos Rurais é representada diretamente pela Federação, que, somados os associados dos Sindicatos e os demais produtores, representa 85.000 integrantes da categoria econômica rural.


A grande vitória do ano de 2011 para o setor foi o debate em torno do novo Código Florestal?

José Zeferino Pedrozo – Podemos destacar o importante diálogo entre Governo e sociedade. No entanto, apesar do setor ter avançado nesse sentido e ter conseguido uma votação em 2011, neste ano será necessário novas reivindicações para alterar o projeto que está para ser aprovado, pois o que era otimismo das classes produtoras se transformou em decepção. O formato final do texto aprovado no Senado será prejudicial para Santa Catarina, justamente o Estado que deu início a esta revisão da legislação ambiental brasileira. A nova lei precisa permitir a regularização das atividades de mais de 90% dos produtores rurais brasileiros, jogados na criminalidade por uma legislação que puniu a quem desmatou quando a lei ainda não tipificava esse tipo de infração. O novo Código deve trazer segurança jurídica ao campo, proporcionando as necessárias condições para responder com eficiência ao desafio de continuar contribuindo decisivamente para o equilíbrio da economia brasileira frente ao cenário de instabilidade mundial previsto para este ano.

Quais as mudanças que devem ocorrer antes de ser aprovado o novo Código Florestal?

Pedrozo – Um dos pontos é a adequação dos dispositivos que tratam da regularização de atividades rurais consolidadas em áreas de preservação permanente. Entendemos que se deve atribuir de modo expresso aos Estados federativos a definição dos locais a serem recompostos com vegetação, levando em consideração as peculiaridades sociais e econômicas de cada região. Dessa forma, devem ser excluídos os dispositivos que contêm limites previamente estipulados no texto atual do projeto de lei para procedimentos de regularização, constantes dos parágrafos do atual artigo 62 (parágrafos 4º e 5º). Com relação à figura dos “topos de morro”, o ideal seria a retomada da proposta no texto aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados, por considerá-lo mais adequado do que a versão contida no texto encaminhado pelo Senado Federal.

Pode-se dizer que hoje SC é um Estado com consciência para o reflorestamento?

Pedrozo – Sim. Hoje temos uma cobertura florestal superior a 30% no território catarinense. O produtor sabe que deve preservar os recursos humanos para perpetuar a atividade agropecuária. Além disso, há milhares de projetos privados de reflorestamento em curso. Paralelamente à produção de carne e grãos, a redenção do produtor rural catarinense estará na madeira. O plantio de árvores pode ser mais rentável que o cultivo de grãos. A Faesc estimula todos os proprietários rurais a destinar pelo menos 30% da área cultivada para reflorestamento.


De uma maneira geral, como foi o ano de 2011 para o meio rural?

Pedrozo – Apesar dos elevados custos de produção, o ano foi bom para os setores de grãos, carnes e leite, mas muitos segmentos não conseguiram se capitalizar adequadamente e estão vulneráveis. Os últimos anos foram de mercado crescente e de preços satisfatórios, panorama que pode mudar, já que o setor trabalha com margens estreitas e o grau de risco da atividade é muito elevado.

Carnes e leite foram setores que proporcionaram boas notícias?

Pedrozo – Para quem produz leite o ano foi excelente, com preços que remuneraram bem e geraram boas margens. As empresas e os produtores investiram em máquinas, equipamentos e treinamentos. O leite é uma riqueza econômica em Santa Catarina. Sexto produtor nacional, o Estado gera 1,9 bilhão de litros/ano. Praticamente todos os 190 mil estabelecimentos agropecuários produzem leite, que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O oeste catarinense responde por 60% da produção, com cerca de 50 mil estabelecimentos rurais.

Para o setor de carnes, apesar dos elevados custos de produção e dos preços não evoluírem tanto quanto se esperava, o ano foi bom porque consolidamos mercados internacionais e criamos condições para um bom desempenho em 2012.

Quais as ações mais importantes do ano desenvolvidas pela entidade que o senhor preside?

Pedrozo – A Faesc cumpre importante papel de organização e articulação política da classe econômica. Setor fragilizado e desprotegido, a agricultura requer atenção especial das entidades, especialmente depois que a globalização da economia agudizou a crise de renda dos produtores e expôs as precariedades do setor. Uma das nossas tarefas é monitorar a economia da nossa produção para prever as dificuldades e remediar os problemas. Há risco de alguns segmentos produtivos perderem renda. Problemas de renda podem desarticular as estruturas produtivas e afetar nossa capacidade de produção no longo prazo.


Quais as projeções para 2012? A crise na Europa e EUA é um problema ou pode ser uma oportunidade?

Pedrozo – Acredito que teremos mais um ano de crescimento, porém, com alguns sobressaltos, pois há, hoje, no mercado mundial algumas incertezas econômicas. Temos uma política econômica com maior disciplina macroeconômica que tem reagido rapidamente não só à inflação, mas também ao nível de atividade econômica. A crise na Europa e na América do Norte pode durar um longo período, resultando em baixo crescimento. Os efeitos dessa retração se farão sentir na Ásia e na América Latina, enfraquecendo a demanda pelo que nós produzimos. Os mercados futuros de commodities agrícolas podem ficar voláteis em função das turbulências do mercado financeiro.

Que ações o senhor considera mais urgentes e que dependem do Governo Federal e do Estadual?

Pedrozo – A adoção de uma nova política agrícola que permita a inclusão de produtores ao sistema produtivo, o que pode ser feito a partir das ações desenvolvidas pelos órgãos de extensão rural e com mecanismos de apoio para melhoria da gestão das propriedades. Entre os segmentos que podem ser beneficiados por essas estratégias estão os médios produtores rurais. É preciso ampliar as fronteiras do agronegócio para permitir a inclusão de médios agricultores ao sistema produtivo, garantindo, assim, mais renda e consumo ao meio rural. Outro tema prioritário é o fim dos conflitos envolvendo a demarcação de terras indígenas e as invasões de áreas rurais, impasses que trazem insegurança jurídica ao campo.

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