Plantio

Falta de chuvas atrasa plantio de soja em Goiás

Apenas 5% da área foi semeada até o momento; produtores que iniciaram o plantio relatam perdas
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A falta de chuvas está atrasando o plantio de soja em Goiás. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) calcula que até o momento foram semeados em torno de 5% dos 3,350 milhões de hectares previstos para esta safra. No mesmo período do ano passado, 15% da soja goiana já havia sido plantada.


 
As chuvas que caíram no final de setembro e nos primeiros dias de outubro até incentivaram o início do plantio no sudoeste goiano, a principal região produtora de soja no Estado. Mas com a estiagem das últimas semanas, o cenário agora é de preocupação.
 
Em Rio Verde, município que deve plantar 315 mil hectares de soja, de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o produtor Adriano Barzotto está apreensivo. Ele conta que na primeira quinzena de 2016, cerca de 70% de suas lavouras estavam instaladas. Esse ano, com a pouca chuva que caiu, ele conseguiu plantar somente 10% da área planejada.
 
"A nossa região começou a plantar no dia 4 de outubro e já parou no dia 7. Nessas áreas já semeadas, onde a soja está acabando de emergir, a gente vê escaldadura, planta morrendo, o estande vai ficar um pouco mais deficiente, então já estão ocorrendo perdas", afirma.

 
Já em Mineiros, no extremo sudoeste de Goiás, o produtor Rogério Vian não plantou sequer um grão de soja. Os últimos 30 dias acumularam cerca de 60 milímetros de chuva em sua fazenda, mas já não chove há mais de 10 dias. Agora Rogério espera no mínimo 50 milímetros de água para o solo atingir a umidade adequada e ele começar o plantio de 600 hectares.

 
"A temperatura está muito alta, 38-40ºC direto, e isso preocupa muito. A gente tem muito medo de como essa chuva vai vir, porque as primeiras chuvas costumam vir com pedra, muito vento. Eu não quis plantar também por medo de vir uma chuva muito pesada", comenta o produtor.
 
Rogério conta que no ano passado plantou cerca de 20% de sua área na primeira quinzena de outubro. Hoje, assim com ele, a maioria dos produtores de Mineiros ainda não iniciou a semeadura, que deve chegar a 95 mil hectares, segundo o IBGE. Rogério acredita que somente 10% da área de soja no município foi plantada até o momento.

 
Esse atraso nos trabalhos de semeadura, que vai empurrando o plantio para fora da janela ideal, traz muitos impactos às lavouras. "Isso acaba tirando o potencial produtivo das cultivares, porque alguma cultivar ainda vai conseguir uma janela boa, mas grande parte já será plantada fora do período mais adequado. Sem falar que dos produtores que plantaram, muitos vão ter que replantar", explica o presidente da Aprosoja-GO, Bartolomeu Braz Pereira. "É uma soma de calor, falta de chuva, estresse hídrico, pragas e a planta acaba não resistindo ou também perdendo o estande, nascendo um baixo número de plantas."
 
Se as chuvas previstas para a próxima semana vierem com maior regularidade e, mesmo com o atraso, os produtores plantarem toda a soja planejada para esta safra, a Aprosoja-GO ainda estima uma produtividade média de 52,5 sacas por hectare. Assim, a colheita goiana pode render em torno de 10,5 milhões de toneladas de soja.
 

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