Falta espaço para a soja em Rio Grande
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Agronegócio

Falta espaço para a soja em Rio Grande

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As cooperativas agrícolas do Rio Grande do Sul decidiram interromper o envio de soja para o porto de Rio Grande, devido à falta de capacidade de armazenamento no local, informou a entidade que reúne as cooperativas. O aumento da fiscalização pelo Ministério da Agricultura no porto de onde partiram navios com soja misturada a agroquímicos provocou lentidão nos embarques e esgotou a capacidade dos silos no porto, que estão lotados com 1 milhão de toneladas de grãos.

"Desde sexta-feira as cooperativas deixaram de enviar soja ao porto", afirmou Rui Polidoro Pinto, presidente da Fecoagro, entidade que congrega as cooperativas gaúchas. "Para evitar que a soja fique nos caminhões ou nos vagões dos trens aguardando espaço nos silos, decidimos parar de enviar".

Segundo Polidoro, tradings estão desviando navios do porto de Rio Grande para evitar eventuais atrasos que podem ser causados pela fiscalização mais rígida do ministério. A assessoria de Comunicação do porto de Rio Grande confirmou a informação, dizendo que nenhum navio está no local carregando soja no momento, apesar da ampla disponibilidade do produto nos silos.

Outros destinos

A direção do porto informou que os dois últimos navios, levando cada um 60 mil toneladas de soja para a China, deixaram o porto nos dias 20 e 21, depois de aguardarem quase 10 dias pela liberação do ministério. "Parece que dois navios que iriam carregar soja aqui nesta semana foram desviados para outros portos", afirmou Alan Bastos, assessor de Comunicação do porto.

A Fecoagro afirmou que 40% da soja nas mãos das cooperativas já está vendida e que tanto a entidade como as tradings aguardam alguma solução para poderem movimentar o produto. "A fiscalização tem de ser igual em todos os portos, senão ficaremos prejudicados", afirmou. Polidoro espera também que a missão do governo brasileiro que está em visita à China consiga flexibilizar as normas chinesas para aceitar a presença de sementes tratadas com agroquímicos dentro dos limites normais, de até 0,2%.

A China é o principal destino para a soja brasileira. Em 2003, 6,1 milhões de toneladas de soja em grão foram enviadas. No fim de abril, autoridades chinesas embargaram um carregamento brasileiro de soja em grão que continha, misturadas à carga, sementes de soja tratadas com agroquímicos. O produto deve ser destinado exclusivamente a plantio, não para consumo direto.

Os compradores acham que o seu enorme poder de compra das empresas chinesas não se traduziu em melhora proporcional dos preços da soja ou dos termos de seus contratos.

Mercado em baixa

Depois de exibir altas sem precedentes este ano, o complexo soja amarga, em maio, recuo de preços nos contratos futuros, numa primeira sinalização de possível mudança na tendência do mercado em 2004. Neste mês, as cotações dos contratos futuros para entrega em agosto já acumulam queda de 19,8% na soja em grão, 16% no farelo e 14,7% no óleo de soja. Os preços continuam elevados, embora em ritmo declinante.

A Associação Brasileira das Indústrias Esmagadoras de Soja (Abiove) acompanha o novo movimento. Mas prefere aguardar um pouco mais, observando o comportamento da safra norte-americana, antes de promover mudanças nas estimativas de preços das exportações brasileiras do complexo. A Abiove fez ajustes em suas projeções, mas praticamente só alterou as previsões de quantidade, reduzindo a safra brasileira para 50 milhões de toneladas, face os 52 milhões de toneladas imaginados originalmente.

As novas estimativas da Abiove apontam para receitas cambiais com o complexo soja de US$ 10,5 bilhões este ano, abaixo dos US$ 11,2 bilhões previstos anteriormente, mas acima dos US$ 8,1 bilhões obtidos em 2003.

Segundo a Abiove, as exportações de grão de soja deverão atingir 20,2 milhões de toneladas, com receitas de US$ 5,45 bilhões (preço médio de US$ 270 por tonelada), o farelo de soja 15,5 milhões de toneladas, no valor de US$ 3,4 bilhões (preço médio de US$ 220/t) e o óleo de soja 2,7 milhões de toneladas, com receita de US$ 1,6 bilhão (preço médio de US$ 600 a tonelada).

É bom observar que os preços médios projetados pela Abiove para as exportações ao longo de 2004 já estão mais baixos que os preços médios efetivamente praticados no primeiro quadrimestre do ano. Neste período, as exportações de soja e derivados somaram US$ 2,43 bilhões com incremento de 37% na comparação com US$ 1,77 bilhão de mesmos meses do ano passado. Os preços médios registrados em janeiro/março último foram de US$ 285 para a tonelada de soja em grão, US$ 238 para a tonelada do farelo e US$ 599 para o óleo de soja.

Por trás do atual recuo nas cotações dos contratos da soja está a China, um dos maiores importadores mundiais do produto, com compras estimadas este ano de cerca de 24 milhões de toneladas. Já com elevados estoques este ano, formados na alta do mercado, os chineses enfrentam muitas dificuldades para repassar a alta das cotações da soja para os preços internos do produto.


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