Falta estrutura para separar o milho GM

Agronegócio

Falta estrutura para separar o milho GM

Cooperativas vão misturar grãos GM e convencionais nos armazéns. Indústria prefere cereal não-transgênico, mas ainda não paga bônus
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Apesar de possuir a maior rede de armazéns do país, o Paraná não terá como separar adequadamente o milho transgênico da safrinha – cerca de 1,5 milhão de toneladas produzidas em 500 mil hectares. A semente Bt, resistente a insetos, ocupou perto de um terço das lavouras. Como as cooperativas e cerealistas não se prepararam para segregar todo esse volume de cereal, venderão boa parte da produção convencional como se fosse geneticamente modificada.

A avaliação é consenso no setor, apesar de a colheita estar apenas no início. “O milho é de difícil segregação. A mistura começa na lavoura, uma vez que nem todos os produtores respeitaram a margem de isolamento (veja texto ao lado)”, afirma Flávio Turra, gerente técnico-econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Ele informa que um terço da capacidade de armazenagem estática do estado (que é de 24,5 milhões de toneladas – 55% pertencentes às cooperativas) está ocupada e, como é preciso separar soja (convencional e transgência) e trigo (brando, pão e melhorador), a estrutura atual não comporta a segregação de milho.

As cooperativas estão tentando cumprir essa tarefa como podem. A Coopavel, com sede em Cascavel (Oeste), informa que espera um posicionamento de seus clientes para definir se segrega ou não. “Como temos milho convencional do verão para nosso consumo na produção de aves e suínos, só vamos separar a primeira da segunda safra”, afirma o presidente, Dilvo Groli. Por enquanto, o milho excedente, vendido para outras indústrias de alimentos, não terá classificação em relação à transgenia. Para a segregação desta safra, a Coopavel precisaria mobilizar 24 filiais e mudar critérios de recepção de 120 mil toneladas de grãos em plena colheita.

A C. Vale, de Palotina (Oeste), informa que o custo da segregação é maior do que na soja e que o processo só se tornará viável se a indústria de alimentos oferecer bônus. “E por enquanto ninguém se posicionou”, afirma Valentim Squisatti, gerente de Operações de Mercado. Ele sustenta que o frango produzido pela Cooperativa não vai consumir milho transgênico.

O gerente Operacional Alcemir Chiodelli conta que a segregação do milho custa mais que a da soja a começar pelo teste (a diferença é de R$ 5 para 10). Em cada caminhão, são realizados até três provas. Além disso, considera que “é praticamente impossível fazer com que todos os produtores plantem com isolamento numa região de propriedades pequenas como a nossa”.

A indústria de alimentos, por sua vez, quer garantir pelo menos 2 milhões de toneladas de milho convencional para consumo humano. “Isso representa cerca de 5% da produção nacional. Nesta safra ainda estamos tranquilos”, afirma Nelson Kowalski, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Milho (Abimilho). Garantir essa parcela será cada vez mais difícil, prevê. Por outro lado, afirma que a indústria não pode arcar com o custo da segregação, que terá de ser repassado para o consumidor final.

A soja transgênica começou a ser plantada há quatro safras e a oferta de bônus ao produto convencional só ganhou amplitude no último ano. São R$ 2 por saca ao produtor e cerca de R$ 1,50 à unidade de recebimento e secagem. As cooperativas e cerealistas ainda não fizeram cálculos, mas informam que precisam de um valor pelo menos o dobro maior no caso do milho.


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