Faltam armazéns para milho e sorgo em Goiás

Agronegócio

Faltam armazéns para milho e sorgo em Goiás

A crise de armazenagem ressalta as distorções da política brasileira de comercialização de safra
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O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, fez uma apelo para que o governo incremente os mecanismos de comercialização de safra. Segundo ele, essa é a única alternativa para um rápido alívio na pressão por armazéns para acomodar a safrinha de milho e sorgo que ainda se encontra no campo.

Segundo o presidente da Faeg, a crise de armazenagem ressalta as distorções da política brasileira de comercialização de safra. “Só há pouco foi elevado para 10 mil sacas por produtor o teto para Aquisição do Governo Federal (AGF), o que ainda é muito pouco”, diz José Mário.

Logística

Para o presidente da Faeg, vários fatores contribuíram para as atuais dificuldades de armazenagem da safra. Dentre outras razões, ele destaca a lenta comercialização da produção de milho e a própria logística da rede de armazéns, cuja distribuição espacial nem sempre contempla de forma adequada as principais regiões produtoras.

Segundo José Mário, tem produtor no Sudoeste Goiano não está tendo como colher o milho safrinha e o sorgo, simplesmente porque não tem onde estocar. “Com isso, o custo do frete também já subiu mais de 30%, porque os caminhões ficam por até 24 horas nas portas dos armazéns esperando para descarregar”, diz o dirigente da Faeg.

Comercialização

Conforme o presidente da Faeg, a melhor solução no momento seria o governo incrementar os leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) e de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP). O Pepro é o mecanismo pelo qual o produtor arremata o prêmio, que é a diferença entre o preço de mercado e o preço mínimo oficial de R$ 16,50 a saca, no caso do milho, e ele próprio faz a comercialização do produto.

No PEP, a indústria adquire o produto pelo preço mínimo na região produtora e recebe do governo a diferença em relação ao preço a menor vigente no mercado. “Sem essas providências, a crise tende a se agravar, pois o produtor não tem alternativa para viabilizar a colheita do produto que ainda está na lavoura”, diz José Mário.

Exportação

O analista de mercado da Faeg, Pedro Arantes, diz que a lenta exportação de milho pelo País também contribuiu para a atual crise de armazenagem. “A expectativa era de que se exportasse pelo menos 8 milhões de toneladas, mas, até agora, não chegamos a 4 milhões de toneladas”, diz o técnico da Faeg.

Segundo Pedro Arantes, essa lentidão se deve à fraca demanda no mercado mundial e à baixa cotação do dólar, situação que deve agravar-se com a chegada das boas safras dos Estados Unidos e da Europa. “Goiás produziu na ultima safra mais de 5 milhões de toneladas de milho e 1 milhão de toneladas de sorgo, mas até agora não comercializou mais que 45% a 50%”, diz o analista de mercado.


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