Febre aftosa faz MS mudar matriz produtiva
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Agronegócio

Febre aftosa faz MS mudar matriz produtiva

Parte do rebanho da fronteira será eliminado para a implantação de lavouras
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Parte do rebanho da fronteira será eliminado para a implantação de lavouras na região. Os prejuízos provocados pela febre aftosa em Mato Grosso do Sul - que registrou focos da doença em municípios próximos à fronteira com o Paraguai nos últimos anos - poderão ser eliminados com a mudança da matriz econômica na região. A idéia do Governo do Estado é que parte da região abandone a pecuária, eliminando os riscos de contaminação, e cultive grãos, floresta ou cana-de-açúcar.

A região tem hoje 8 milhões de cabeças e acredita-se que um quarto poderia deixar de ser criado. Um amplo levantamento está sendo feito para apontar quais seriam as alternativas à pecuária - que deve ser concluído até maio. Além disso, o governo criou a Agência de Desenvolvimento Agrário (Agraer) e, poderá, ao final do estudo, criar um programa de incentivo fiscal específico para a região da fronteira. " Manter do jeito que está não dá. Trocar a bovinicultura seria um pesadelo a menos", afirma Tereza Cristina Correia da Costa Dias, secretária de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur).

O último foco da doença na região de fronteira - em 2005, nos municípios de Japorã, Mundo Novo e Eldorado - foi o estopim para esta mudança. Em Eldorado já há estudos para a implantação de uma usina de cana-de-açúcar. Segundo fontes locais, 40 mil hectares seriam destinados à nova lavoura para o processamento inicial de 3 milhões de toneladas. Hoje o estado tem nove usinas em operação e a previsão é que nos próximos anos 40 estejam em funcionamento, próximas aos municípios de Naviraí - onde ocorreu febre aftosa em 1999 - Dourados e Rio Brilhante.

Nos três municípios em que a doença retornou em 2005 existem 150 mil cabeças, sendo 30 mil nas mãos de pequenos produtores. Por isso, Tereza Cristina, diz que uma das alternativas seria o cultivo de pinhão-manso, pois existem grupos interessados em instalar usinas na região para a produção de biodiesel. "A fronteira tem de ser olhada como política de governo, de segurança nacional", diz Ademar Silva Júnior, presidente da Federação da Agricultura do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul). Segundo ele, a mudança na matriz produtiva da região seria mais uma barreira à entrada do vírus. O relatório da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) mostrou que há risco de contaminação na fronteira. Além disso, a última sorologia nos municípios onde ocorreu a doença em 2005 deu reação positiva. "A idéia é fazermos um cordão ao longo da fronteira", diz Laucídio Coelho, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrisul).

A faixa da fronteira legal é de 150 quilômetros para dentro do estado, mas fala-se que esta mudança na matriz econômica poderia ocorrer em uma área inicial de 10 a 15 quilômetros. Para o presidente do Sindicato do Açúcar e do Álcool de Mato Grosso do Sul, José Pessoa de Queiroz Bisneto, a implantação da cana-de-açúcar na região requer alguns estudos, pois parte da fronteira é área alagadiça - Pantanal - e outra está sujeita à geadas. "Não adianta levar a cana-de-açúcar sem levar indústrias", diz Silva Júnior. A secretária da Seprotur garante que hoje já existem incentivos de abatimento de até 67% do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e que uma lei específica para a fronteira poderá ser criada ao fim do estudo.

Mudança

A cerca de 150 quilômetros da fronteira, já há mudança da pecuária para a cana-de-açúcar. O pecuarista Rafael Possik, da Fazenda Ramalhete, trocou parte de seu rebanho pelo arrendamento para a cana-de-açúcar. Isso porque, quando negociava gado a R$ 60 a arroba o retorno da doença ao estado levou os preços do boi gordo a R$ 40 a arroba. "A aftosa e a queda no preço dos grãos fez a gente procurar alternativas econômicas", diz Possik. Segundo ele, o rendimento de seus 5 mil hectares era de 1% antes da mudança. Agora a estimativa é de 5%.

A fazenda que tinha 4 mil reses, entre cria, recria e engorda, hoje tem apenas 1 mil vacas para cria. Foram destinados 3 mil hectares para a cana-de-açúcar, provenientes de pastagens e produção de soja. Segundo Possik, a mudança foi possível porque outras três propriedades se uniram para garantir a instalação de uma unidade da Coinbra no município. A mudança implantada pela Fazenda Ramalhete será apresentada no próximo dia 1 na Semana de Empreendedorismo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).


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