Fechado há um ano, laboratório do Paraná vê São Paulo ‘roubar’ mercado consolidado

Produção zerada

Fechado há um ano, laboratório do Paraná vê São Paulo ‘roubar’ mercado consolidado

Kits diagnósticos feitos no Tecpar atendiam praticamente toda a demanda nacional. Hoje, maior parte é importada
Por: -Giorgio Dal Molin
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Já faz quase um ano que a produção de kits de diagnósticos de brucelose e tuberculose bovina foi paralisada no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Enquanto o laboratório que atendia 90% da demanda nacional aguarda recursos para retomar as atividades, outro concorrente vem tomando esse mercado: o Instituto Biológico de São Paulo (IB).

Em maio, o Tecpar estava na expectativa da obtenção de recursos do Governo Federal para readequar as instalações, como noticiou a Gazeta do Povo. Seis meses depois, nada mudou, como conta o diretor presidente do instituto paranaense, Julio Cesar Félix:

“Suspendemos a produção até que o Ministério da Agricultura (Mapa) tome uma posição. Há cerca de 20 dias, conversei pessoalmente com o Ministro [Blairo Maggi], que ficou de dar uma resposta”.

Após uma auditoria do órgão federal, em setembro de 2016, o Tecpar teve de parar a fabricação dos kits antes do fim do ano e solicitou verbas para adequação. A alegação do governo é de que não há dinheiro para o investimento no laboratório, que fabricava os kits a preço de custo.

Enquanto o Paraná produzia quase 10 milhões de kits por ano, em São Paulo, a produção era próxima a 3 milhões anuais - neste ano, já deve ficar perto de 4 milhões, segundo estimativa do IB.

“Nós também fomos pegos de surpresa com a notícia da paralisação do Tecpar, pois tivemos que cobrir parte dessa produção e do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, que está mais restritivo e prevê 12 milhões de doses para dar conta do rebanho nacional”, afirma o responsável técnico pela produção paulista, Ricardo Jordão.

Como o instituto paulista ainda não consegue fornecer a maior parte dos kits para os produtores rurais, o Ministério da Agricultura precisou adotar emergencialmente a importação de kits do Uruguai e da Argentina. A medida, que seria paliativa, tornou-se definitiva neste ano, o que impactou diretamente no preço, segundo Jordão: “O importado custa quase 50% a mais que o produto nacional”.
Impacto econômico da brucelose

Segundo o IB, sem os testes não é permitido compra, venda, trânsito e exportação de bovinos. Além disso, a brucelose traz prejuízos da ordem de US$ 448 milhões no Brasil, estima o instituto paulista. Se identificada a doença, o produtor deve sacrificar o animal, comenta Jordão.

Por isso, é necessário que os testes tenham alto grau de precisão, sendo necessário o apoio do setor público na produção, segundo Félix: “Nós queremos continuar, pois é um produto com boa aceitação no mercado”.

Jordão complementa: “Não adianta produzir sem confiabilidade, pois não estamos falando só de numero de doses”. Ele explica que em São Paulo o instituto conta com o apoio do governo estadual para a produção, mas que a entidade também está na expectativa de receber recursos federais para aumentar a produção e atender toda a necessidade do Brasil. 

Ademais, a falta dos kits pode impactar diretamente a produção de carne e leite brasileira: “Dados indicam a brucelose como a responsável pela diminuição de 25% na produção de leite e de carne e redução de 15% na produção de bezerros. Há ainda estimativas mostrando que a cada cinco vacas infectadas, uma aborta ou torna-se permanentemente estéril. Há estimativas de que animais contaminados percam de 10% a 25% da sua eficiência produtiva, além da perda do prestígio e da credibilidade da fazenda em há casos positivos de tuberculose”, completa Jordão. 

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