Fecoagro/SC vai vender fertilizantes no mercado

Agronegócio

Fecoagro/SC vai vender fertilizantes no mercado

As 11 cooperativas associadas decidiram que a indústria poderá atuar no sistema aberto, vendendo para grandes produtores, cooperativas e empresas
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A Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro) decidiu ampliar o mercado de atuação da sua Unidade Misturadora de Fertilizantes, empresa localizada em São Francisco do Sul, norte do Estado. As 11 cooperativas associadas decidiram que a indústria poderá atuar no sistema aberto, vendendo para grandes produtores, cooperativas e empresas. Hoje, a indústria atende apenas a demanda exclusiva das associadas. Quando foi criada, em 2004, o objetivo da unidade era abastecer metade do consumo previsto por ano pelas filiadas. Mas os planos da Fecoagro mudaram.

"Temos que expandir o mercado. Nos últimos anos, houve redução da produção, e a fábrica teve aumento da ociosidade", explica Ivan Ramos, diretor-executivo da Fecoagro. Ele diz que a produção foi reduzida em 30% de 2004 até agora, para cerca de 70 mil toneladas/ano. "O volume mínimo planejado para que essa indústria seja viável é de 100 mil toneladas/ano".

Vários fatores tiveram impacto negativo sobre os negócios, entre eles, a redução do número de cooperativas associadas de 14 para 11, por meio da incorporação da cooperativa de Itapiranga (Cooperita) pela Cooper A-1, e por conta da saída, no meio deste ano, de duas cooperativas que eram associadas, caso da Copercampos e da Coopersulca, que reduziram o mercado para quem a indústria produziria.

A Copercampos prefere não se pronunciar sobre o assunto. Luiz Fernando Bendo, diretor de Marketing da Coopersulca, explica que a cooperativa decidiu deixar o negócio por questões logísticas e econômicas, passando a comprar fertilizantes do Rio Grande do Sul. A cooperativa diminuiu o tempo de entrega pela metade e também passou a ter créditos de ICMS.

Além das saídas de algumas associadas, a indústria de fertilizantes da Fecoagro sofreu com a instabilidade no câmbio e com a menor oferta de insumos. "Tivemos problemas com a instabilidade e valorização do real, com a estiagem, que diminuiu a demanda dos cooperados e, mais recentemente, com o aumento do preço da matéria-prima em cerca de 40%", diz.

Segundo ele, os insumos ficaram mais caros principalmente por conta do aumento da demanda mundial em torno da produção de etanol. Outro fator importante, motivador das mudanças, tem sido os problemas com a programação de navios que trazem os insumos. Como a Fecoagro é a única que produz fertilizantes em São Francisco do Sul, o volume de matéria-prima importada é pequeno e não obedece a uma freqüência regular. A situação muitas vezes inviabiliza a chegada de navios, que acabam sendo desviados para Paranaguá (PR), de onde a carga chega por via rodoviária até SC.

Ao sair da restrição de venda apenas para suas associadas, Ramos acredita que em um ano a indústria poderá produzir cerca de 100 mil toneladas, volume que garante sua rentabilidade e mais próximo da capacidade total, de 150 mil toneladas. Além da venda de fertilizantes, a indústria passará a fazer o processamento para terceiros, ampliando o volume e, com isso, tentando viabilizar também uma melhor programação de navios. "Não vamos brigar com os gigantes do setor de fertilizantes com essa mudança porque não ganharíamos deles, mas vamos entrar na concorrência", diz ele.

As mudanças, previstas para 2008, devem consumir cerca de R$ 6 milhões para um segundo turno na produção, aumento da área de armazenagem e novos equipamentos.

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