FEIJÃO: pressão negativa em Goiás é maior do que em outras localidades


Agronegócio

FEIJÃO: pressão negativa em Goiás é maior do que em outras localidades

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A partir deste mês de fevereiro e no decorrer de março, a principal oferta no mercado se origina do Centro-Oeste e Sudeste, principalmente de Goiás e Minas Gerais. Incluindo a safra paulista, a oferta do Centro-Oeste e Sudeste é projetada em torno de 420 mil ton neste ano. Este montante é relativo a algo em torno de 65% da oferta estimada em 660 mil ton na região Sul, concentrada em grande parte durante os últimos meses de novembro a janeiro.

Apesar do menor volume de feijão no mercado a partir deste mês de fevereiro, as ofertas de Estados como Goiás e Minas Gerais são predominantemente formadas pela variedade carioca. Proporcionalmente, o volume de colheita desta variedade pode estar bem próximo ao da região Sul, já que no Paraná, por exemplo, metade da área plantada é formada pelo feijão preto. Por isso, com o final da colheita na região Sul, os preços para o feijão preto tendem a ter menores oscilações negativas do que o carioca no curto prazo.

Com a colheita da primeira safra em Goiás e Minas Gerais a partir deste mês, o mercado já esperava algum recuo nos preços, principalmente para o feijão carioca de melhor qualidade, o qual deve ter maior disponibilidade nos próximos meses. Este tipo de grão (principalmente o padrão extra) esteve praticamente escasso no mercado e muito valorizado no atacado durante as ofertas pela região Sul entre dezembro e janeiro.

Mas neste início de colheita nas regiões mais centrais do País, a pressão dos compradores para uma queda dos preços levou o mercado do carioca em algumas localidades de Goiás a atingir níveis de R$ 80,0/sc, com uma queda de mais de 20% em relação ao final do último mês de janeiro. Algumas vendas neste Estado chegaram nesta semana a patamares até mesmo inferiores aos valores registrados no Paraná, onde praticamente não há disponibilidade de melhores padrões do produto.

Há fortes indicativos de que os preços em Goiás recuaram em níveis excessivos neste mês de fevereiro, abaixo da paridade com São Paulo, hoje o principal centro formador de preços no País.

Desde o início da 1ª safra de feijão em novembro, os preços no atacado de São Paulo subiram cerca de 28% para o carioca padrão extra. Mesmo com uma escassa disponibilidade de feijão de qualidade em seu mercado local, os preços de comercialização no Paraná subiram mais de 32% no mesmo período. E em Goiás, cuja oferta somente se iniciou neste mês de fevereiro, os preços subiram apenas 10,7%.

Mas o ponto mais importante a considerar é a variação dos preços entre janeiro e fevereiro nestas localidades. As cotações do feijão carioca extra no atacado de São Paulo recuaram em média 6% entre janeiro e fevereiro como reflexo da entrada da safra de Goiás e Minas Gerais. Nas regiões produtoras do Paraná, as cotações ao contrário subiram 7%, basicamente em razão do menor fluxo de feijão e o final da colheita na região Sul. Mas em Goiás, os preços declinaram em mais de 10% no período, superando a queda em São Paulo e nas demais regiões produtoras.

Levando em consideração um período histórico de 05 anos, a diferença média de preços medida entre o atacado de São Paulo e as regiões produtoras de Goiás é de R$ 13,60/saca, basicamente formada pelos custos de corretagem, frete e ICMS. Para o mês de fevereiro, esta diferença histórica é de R$ 15,60/saca.

Mas neste mês de fevereiro, a mesma diferença está sendo registrada em média a R$ 26,80/saca. Mais especificamente nesta semana, quando ocorreu uma maior queda no atacado, a diferença de preços entre São Paulo e Goiás ainda está em R$ 19,50/saca, pelo menos 25% acima do historicamente registrado.

Os preços do carioca em algumas localidades de Goiás estão especulativamente sendo registrados entre um mínimo de R$ 80,0 e um máximo de 85,0/sc desde a semana passada, quando o produto em São Paulo ainda estava cotado em torno de R$ 114,0/sc. Com os níveis em São Paulo somente nesta semana recuando a R$ 102,0/sc e de acordo com a paridade histórica indicada acima, acreditamos que o patamar de preços neste Estado ainda deveria estar indicado entre R$ 85,0 a 90,0/sc. Esta diferença média de R$ 5,0/saca entre os atuais indicadores em Goiás e a nossa paridade sugerida pode parecer pequena, mas equivale a mais de R$ 150,0/hectare de renda perdida pelo produtor rural.

Ressalta-se aos produtores goianos que, os preços em regiões como Minas Gerais, Paraná e Bahia estão em um patamar mínimo de R$ 90,0/sc atualmente e que os valores no varejo de São Paulo não recuaram nem mesmo 1% em relação ao mês passado. Destaca-se ainda, que a oferta de feijão em Minas Gerais é mais do que o dobro da produção em Goiás neste período.


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