Fermentação bifásica com substratos de baixo custo é alternativa viável para produção massal
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Imagem: Pixabay
AGRONEGÓCIO

Fermentação bifásica com substratos de baixo custo é alternativa viável para produção massal

A produção de blastosporos foi otimizada por cultura líquida submersa
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Benefícios
• A produção de blastosporos foi otimizada por cultura líquida submersa
• O inóculo à base de blastosporos reduziu o tempo de fermentação sólida em comparação ao inóculo oriundo de conídios
• Inóculo baseado em blastosporos aumentou a produção de conídios em substratos sólidos
• Os subprodutos agroindustriais podem substituir os grãos de arroz na fermentação bifásica
• O bagaço de cana suplementado com meio líquido foi a melhor matriz para a esporulação do fungo
 
O trabalho de cientistas da Esalq e Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) focou em estratégias quanto ao tipo de inóculo, a escolha de nutrientes na fermentação líquida e o uso de substratos sólidos alternativos e materiais inertes para desenvolver um sistema de produção bifásico viável para o fungo entomopatogênicos M. anisopliae, em resposta a uma demanda do setor industrial de biopesticidas no Brasil. Este fungo é um dos principais protagonistas no controle biológico de cigarrinhas da cana-de-açúcar e pastagens em mais de 2 milhões de hectares.
 
Foram usados resíduos agroindustriais, como farelos e suportes inertes, na busca por fontes economicamente mais acessíveis e baratas de carbono e nitrogênio. O reaproveitamento de resíduos agroindustriais constituídos principalmente de farelos, ricos em carboidratos, lipídios, proteínas, minerais e vitaminas, são boas alternativas para o processo de fermentação. 
 
A fermentação submersa realizada com o extrato de levedura teve o maior rendimento de blastosporos em quatro dias, usados como fonte de inóculo na fermentação em estado sólido, alternativamente à suspensão de conídios. 
 
O arroz pré-cozido inoculado com blastosporos apresentou maior rendimento e produção mais rápida. Já a produção de conídios após o crescimento do fungo no farelo de trigo foi duas vezes maior do que no farelo de milho e numericamente superior ao arroz. Entre os suportes inertes testados, merece destaque o bagaço de cana - melhor matriz de suporte para crescimento e esporulação do fungo, além de ser um resíduo barato e abundante no Brasil.
 
No sistema bifásico, o farelo de trigo inoculado com blastosporos proporcionou a maior produção de conídios desse fungo do que o farelo de milho e outras combinações de farelo e ainda teve produção semelhante ao de arroz. O bagaço de cana-de-açúcar autoclavado seco foi a matriz sólida de crescimento que sustentou a maior produção de conídios de M. anisopliae quando inoculado com blastosporos. Portanto, a fermentação bifásica deste fungo usando blastosporos como inóculo e subprodutos agroindustriais de baixo custo como substratos sólidos é economicamente viável, eficiente e com alto rendimento de conídios infectivos. 
 
Os autores do trabalho são Polyane Santos, Kauana Abati e Natalie Mendoza, Italo Delalibera Júnior da Esalq/USP e Gabriel Mascarin, da Embrapa Meio Ambiente e o estudo completo está disponível desde em 21 de dezembro de 2020 aqui.
 


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