Ferrugem asiática encarece produção no Paraná

Agronegócio

Ferrugem asiática encarece produção no Paraná

Em 11 municípios houve cinco ou mais ocorrências nos últimos três meses
Por: -José Rocher
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A ferrugem asiática chegou sem pressa nas lavouras de soja do Paraná, mas nas duas últimas semanas ultrapassou os 245 casos registrados na safra passada. De novembro até essa quarta-feira (17-01) foram confirmadas 292 ocorrências, 40% do total registrado desde o aparecimento da doença, em 2001. Nesta mesma época de 2006, os produtores paranaenses tinham registrado 42 focos a menos.

Na lista dos 292 casos divulgada pela Embrapa Soja, cinco municípios do estado aparecem 15 vezes ou mais: Cascavel (30), Palotina (26), Toledo (22), Assis Chateaubriand (17) e Terra Roxa (15). Todos ficam no Oeste paranaense. No entanto, a doença se espalhou também pelas regiões Sudoeste, Centro, Norte, Norte Pioneiro e Centro-Sul.

Segundo a Embrapa Soja, ainda não houve grandes perdas na lavoura. “Os produtores estão identificando a ferrugem com rapidez, e iniciam a aplicação de fungicida antes de a doença comprometer a produção”, afirma a pesquisador Claudine Seixas. Por outro lado, ela diz que o número elevado de casos serve de alerta para todas as regiões. A ferrugem derruba as folhas e, com isso, afeta o desenvolvimento dos grãos.

No ano passado, o custo da ferrugem chegou a R$ 4,56 bilhões em todo o Brasil, de acordo com cálculo da Embrapa Soja, que inclui a perda de grãos – 2,9 milhões de toneladas – e o custo da aplicação de fungicidas. No Paraná, a aplicação de fungicida eleva em 8% o custo de produção. O gasto é de cerca de R$ 60 por hectare. Sem a ferrugem, a cultura exige investimento de R$ 750/ha. Os produtores que não usam o defensivo correm risco de perder até 70% da soja.

Estatística parcial:

O avanço da ferrugem no Paraná é maior do que os números apontam, segundo os técnicos do setor. Eles dizem que, quando o produtor tem certeza de que a lavoura foi afetada pela doença, concentra-se no combate ao fungo Phakopsora pachyrhizi e não recorre ao sistema de alerta da Embrapa.

A cooperativa Coopavel, que atua na região de Cascavel, informa que seus produtores já identificaram mais de 100 casos da doença. O gerente da área técnica, Laércio Boschini, relata que ainda não houve grandes perdas na lavoura. Por outro lado, conta que a doença está aparecendo em áreas que receberam fungicida há apenas três semanas. O fato é atribuído às condições excepcionais de umidade e calor, que favorecem tanto a soja quanto a ferrugem. Essas áreas precisam ser pulverizadas novamente. Ou seja, até a colheita, em março, o custo do controle do fungo asiático pode chegar ao triplo dos R$ 60 por hectare da primeira aplicação.

A tendência é de redução nas perdas, afirma a Claudine. “O produtor aprendeu ou está aprendendo a interferir no momento correto.” Os técnicos ainda não chegaram a um consenso sobre se é melhor aplicar fungicida antes do aparecimento da ferrugem ou logo após os primeiros sintomas, quando as folhas da parte baixa da planta apresentam relevos visíveis a olho nu.

A pesquisadora da Embrapa diz que o fato de o Paraná ser líder em número de ocorrências – o segundo lugar é do Mato Grosso do Sul, com 126 casos – indica que os sojicultores estão em alerta. Até ontem, 53% dos 546 casos registrados em todo o Brasil são de soja paranaense. A identificação da presença do fungo é considerada necessária para o controle da ferrugem. O avanço vem sendo atribuído cada vez mais às chuvas, que além de facilitar a multiplicação dos fungos dificultam o trabalho de monitoramento das lavouras.

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