Ferrugem asiática impulsiona venda de pulverizadores
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Agronegócio

Ferrugem asiática impulsiona venda de pulverizadores

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Uma das principais causas de dor de cabeça entre os produtores de soja, a ferrugem asiática, surge como uma oportunidade de ouro para os fabricantes de pulverizadores agrícolas, afirmaram fontes deste setor nesta quarta-feira (28-04).

As vendas de equipamentos para a aplicação de fungicidas nos primeiros meses deste ano superam em mais de 30% às registradas em 2003, quando o desempenho já havia sido recorde, segundo alguns dos maiores fabricantes. Isso coloca a performance do segmento como uma das melhores no setor de maquinário agrícola.

"O crescimento desta área é impressionante, devido principalmente à ferrugem da soja. Há cinco anos, o mercado era praticamente nada", afirmou durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, Amílcar Centeno, gerente de planejamento da John Deere do Brasil, que trabalha com uma linha de pulverizadores importados. A ferrugem asiática é provocada por fungo e, nas últimas duas safras de soja, provocou perdas de bilhões de reais aos produtores brasileiros.

Segundo Centeno, as vendas de autopropelido - o tipo de aplicador mais adequado a grãos - devem alcançar este ano, no Brasil, de 1,8 mil a 2,0 mil unidades. Uma máquina destas de grande porte, com capacidade para até 400 hectares por dia de pulverização, fabricada nacionalmente, custa cerca de R$ 400 mil. Normalmente, fazia-se de três a quatro aplicações nas áreas com soja com herbicidas e inseticidas. Mas, após o alastramento da ferrugem, especialmente na região Centro-Oeste, o produtor é obrigado a fazer até sete aplicações.

A velocidade com que a doença se propaga pelas lavouras contribui para o aumento das vendas de pulverizadores. "Quando detecta, o produtor tem até três dias para aplicar em toda a área. Por isso, acaba comprando mais máquinas", afirmou Alberto Honda, gerente de marketing da Jacto, que estima deter cerca de 70% do mercado de pulverizadores e observou um aumento de 30% nas vendas este ano, até o momento, frente a igual período de 2003.

O potencial do mercado fez com que a Jacto lançasse este ano uma máquina com piloto automático. A empresa diz que o modelo garante maior precisão na aplicação e permite a execução ininterrupta do trabalho durante noite e dia. Os fabricantes afirmam ainda que o aumento da área plantada com soja, principalmente com o emprego do plantio direto, e os preços altos do grão colaboraram para a expansão das vendas.

Outro fator positivo foi a ampliação na área de algodão, produto que necessita de pelo menos 12 aplicações de produtos como herbicida durante seu ciclo de desenvolvimento. A Montana, que tem a segunda maior fatia do mercado, espera um aumento de vendas para este ano de até 150% em relação a 2003, estimulado principalmente pela ocorrência de ferrugem.

"Para o produtor, o investimento vale a pena. Tem gente que veio reclamando que perdeu R$ 1 milhão, o equivalente a três máquinas destas", disse Márcio Júnior de Resende, gerente comercial da área de peças da companhia. De acordo com Resende, o maior crescimento na demanda este ano ocorre em Mato Grosso, pela abertura de novas áreas, e em Goiás, pela ferrugem.


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