Financiamento da soja cai pela metade

Agronegócio

Financiamento da soja cai pela metade

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Esmagadoras e tradings cortam crédito privado para R$ 10 bilhões no ano-safra 2004/05. As esmagadoras de soja cortaram pela metade o crédito concedido ao plantio da safra 2004/05. O setor privado, que no ano passado concedeu R$ 20 bilhões para os sojicultores, neste ano liberou somente R$ 10 bilhões, de acordo com fontes do mercado. A redução foi motivada pelo calote de R$ 1 bilhão que indústrias e tradings tomaram na safra 2003/04.

Estima-se que neste ano as indústrias tenham financiado, no máximo, 20% de uma safra estimada em 63 milhões de toneladas. Em 2003/04, o setor privado bancou 40% da produção inicialmente projetada em 60 milhões de toneladas, mas que após severo ataque do fungo da ferrugem asiática foi revista para 50 milhões de toneladas.

"Reduzimos o crédito em razão do calote da safra passada. Infelizmente alguns agricultores não respeitaram os contratos firmados com a indústria e, por mais que necessitemos a soja, não estamos dispostos a correr o risco", afirma uma fonte da indústria.

Na safra passada, alguns agricultores, sobretudo de Goiás, desrespeitaram os contratos de financiamento firmados com o setor privado. Eles haviam assinado os contratos quando o preço da soja estava mais baixo. Na hora de honrar o compromisso, as cotações haviam subido quase 50%. Resultado: muitos decidiram não entregar a soja para a indústria e resolveram questionar os contratos de soja na Justiça. As ações judiciais ainda não foram julgadas em definitivo.

A indústria não era a única desinteressada no financiamento privado. O agricultor, capitalizado e assustado com os baixos preços oferecidos pela soja, decidiu plantar com recursos próprios.

Caem registros de exportação

"A queda das vendas antecipadas de soja é provavelmente a grande responsável pelo baixo volume dos registros de exportação", diz André Pessôa, da Agroconsult Consultoria e Marketing.

Foram emitidos registros para exportar 737 mil toneladas de soja até 31 de novembro. O volume é sete vezes menor que as 5,3 milhões de toneladas registradas em igual período do ano passado.Os registros deste ano representam apenas 3,3% das 22,5 milhões de toneladas que devem ser embarcadas no próximo ano. Em igual período do ano passado, 27,6% da intenção de exportação já havia sido realizada, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

O registro é uma intenção de embarque que nem sempre é cumprida. Ela serve como termômetro para medir o ritmo das vendas externas.

A emissão de registros está ligada à venda antecipada de soja. Neste ano, as vendas antecipadas são da modalidade com preço a fixar, ou seja, preço a ser acertado numa data específica.

Nesta modalidade de financiamento, o agricultor recebe antecipadamente, antes do plantio, até 40% de um preço histórico. O restante é pago quando o produtor define uma data de liquidação da operação.

O problema é que, com os baixos preços da soja, os agricultores estão adiando a decisão de "fechar" o preço da saca. Como o preço não está fechado, a indústria evita requerer o registro de exportação.

"Pode parecer um detalhe técnico, mas esse é um esboço do que deve ser a comercialização neste ano: lenta e muito diluída", diz Pessôa.

Como o contrato de venda antecipada não foi fechado, a indústria, por sua vez, evita assinar contratos de exportação. "Essa lógica de mercado poderá favorecer concorrentes do Brasil, como os Estados Unidos, que podem roubar clientes do País", afirma o consultor.

Câmbio e preços altos:

Para Renato Sayeg, da Tetras Corretora, o ritmo lento da emissão de registros de exportação tem outra explicação. "Neste ano, o dólar está baixo e os preços também. Ou seja, os exportadores não têm nenhum estímulo para emitir os registros", diz Sayeg.

Ele lembra que em 2001 e em 2002, o dólar valorizado incentivou a emissão de registros. "Com o documento nas mãos, as indústrias faziam operações de adiantamento de câmbio e convertiam os dólares em mais reais", diz.

"Em 2003, os preços internacionais explodiram com a quebra da safra americana, o que fez as indústrias anteciparem a emissão dos registros para aproveitar a alta das cotações", afirma o corretor.


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