Fraude na pesagem de gado
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Agronegócio

Fraude na pesagem de gado

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Denúncia partiu de pecuaristas de vários Estados

contra frigoríficos em todo o país. Inmetro vai fiscalizar.

Edimilson de Souza Lima Representantes de pecuaristas de vários Estados produtores reunidos, ontem, na Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), denunciaram fraude na pesagem de gado em frigoríficos de todo o País. Participaram do encontro representantes do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Tocantins, que receberam dos pecuaristas o pedido oficial de monitoramento permanente das balanças de frigoríficos.

O coordenador do Fórum Nacional da Pecuária de Corte, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira, explica que as entidades do setor em todo o País vêm recebendo centenas de reclamações de produtores de que a pesagem do gado na maioria dos frigoríficos não conferem com as que são feitas fora deles. Segundo ele, a fraude está relacionada a um dispositivo eletrônico que uma vez conectado as balanças computadorizadas permitem manipular o peso através de um controle remoto.

Fiscalização

O superintendente do Inmetro em Goiás, Antônio Carlos Godinho Fonseca, afirma que o órgão já faz anualmente a aferição das balanças dos frigoríficos, não tendo encontrado ainda qualquer irregularidade nessa fiscalização de rotina. “Mas, com essa denúncia vamos fazer um trabalho específico no sentido de identificar qualquer fraude que eventualmente exista”, promete o dirigente do Inmetro. Segundo ele, o instituto vai promover essa fiscalização especial aos frigoríficos de todos os estados produtores, conforme solicitado pelos pecuaristas.

O presidente da Faeg, Macel Caixeta, diz que diante da generalização das reclamações de produtores, fica óbvio que existem irregularidades em vários frigoríficos, embora o problema deva se atenuar depois de tornadas públicas a denúncia.

“Nossa expectativa é de que, não só o Inmetro constate as irregularidades, como os responsáveis pelas fraudes sejam devidamente punidos pelos órgãos competentes”, diz o presidente da Faeg, acrescentando que os pecuaristas devem redobrar a vigilância em relação à pesagem dos seus animais.

Inaceitável

O presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Maurío Faria, considera inaceitável que um setor que se pretende moderno, exportando produtos para várias partes do mundo, possa adotar prática tão antiética para aumentar seus lucros à custa do produtor, já tão mal remunerado. “Isso só confirma o que se vem dizendo há muito tempo: que ainda não existe um verdadeiro espírito de cadeia produtiva no segmento da carne”, diz o dirigente da SGPA, que também defende uma punição exemplar para os frigoríficos que efetivamente estiverem envolvidos na fraude.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do Estado de Goiás (Sindicarne), José Magno Pato, diz que a entidade “não defende quem age contra os princípios da moralidade”, e concorda que qualquer frigorífico eventualmente apanhado em caso de fraude deve receber a punição que a lei prescrever. “Agora, não posso afirmar se as denúncias são ou não verdadeiras, pois nosso papel como entidade de classe não inclui a fiscalização dos nossos filiados”, diz José Magno Pato.


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