Frigoríficos recorrem mais aos contratos futuros da BM&F

Agronegócio

Frigoríficos recorrem mais aos contratos futuros da BM&F

A entrada de alguns dos frigoríficos impulsiona o aumento das negociações
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A entrada de alguns dos frigoríficos no mercado futuro de boi gordo na Bolsa de Mercadorias e Serviços (BM&F) está impulsionando o aumento das negociações deste produto. A última empresa desse setor de atividade a recorrer a esse tipo de operação foi Bertin, com sede em Lins (SP).

No acumulado do ano, o número de papéis de boi gordo na bolsa somou 193.657, volume 112% superior ao mesmo período de 2006. Apesar de operar desde janeiro, apenas mais recentemente o frigorífico resolveu divulgar a adoção desse tipo de estratégia. Seu objetivo é incentivar este tipo de operação para tornar o mercado mais representativo do mercado.

Na entressafra do ano passado, com outros grandes exportadores neste mercado - como o Friboi e o Marfrig - cerca de 25% dos abates vieram de negociações de boi no mercado futuro. Na operação de contrato futuro, o frigorífico garante o preço e a data da entrega do produto. Atualmente, a entrega do boi gordo para o pico da entressafra - em outubro - é negociada a valores próximos a R$ 62 a arroba ante aos R$ 57 a arroba cotados atualmente.

"É mais uma opção de hedge tanto do frigorífico quanto do produtor", avalia Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria. Isto porque, segundo ele, o produtor garante preço e o frigorífico, escala. "O sistema é vantajoso para ambos.

Margem de lucro

O frigoríficos garantem escala e o produtor que tem um custo de produção elaborado pode determinar o preço dos animais, com a vantagem de uma margem de lucro maior", acredita Celso Affonso Filho, gerente de Derivativos Agropecuários do Bertin.

Rosa acrescenta, no entanto, que em caso de "mau posicionamento do pecuarista" não há como ele fazer a liquidação do contrato, uma vez que já está comprometido com o frigorífico. Pela parceria, o Bertin assume todos os custos da operação e o contrato é anulado em caso de problemas sanitários no estado envolvido. Mas, para fazer a negociação, o produtor tem de oferecer um gado que esteja nas conformidades do Programa de Qualidade do Grupo Bertin.

Tendência de alta:

Affonso Filho diz que, como o sistema é recente e o processo tem sido implementado gradativamente, ainda não existem números do percentual deste tipo de negociação no total de abate do frigorífico. "Porém, a perspectiva da empresa é de atuar mais fortemente na época da entressafra, quando os custos de produção são mais elaborados", garante.

Segundo Rosa, parte do crescimento dos contratos futuros da bolsa no ano passado - crescimento de 25,8% com 392 mil papéis negociados - e de 2007 é resultado deste tipo de operação com os frigoríficos. Ele acredita que cada vez mais as indústrias procurarão a BM&F para garantirem suas escalas na entressafra.

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