Fruta doce. Preço amargo

Agronegócio

Fruta doce. Preço amargo

Crise derruba os preços no começo da safra e a caixa da laranja ao produtor é cotada à metade da média registrada na mesma época do ano passado
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Paranavaí e Umuarama - De olho no reaquecimento da economia mundial, os produtores de laranja do Paraná estão iniciando a colheita da safra 2009/10 ainda perplexos em relação aos preços que receberão pela fruta. Segundo um dos maiores produtores do estado, Gilberto Pratinha, de Paranavaí, a previsão de pagamento para as primeiras caixas colhidas na região varia entre R$ 4 e R$ 4,50, exatamente a metade da média paga no ano passado. O que vai diminuir as perdas do setor é o mercado in natura, onde a mesma caixa de 40,8 quilos é vendida atualmente por R$ 9.

O problema é que somente de 30 a 40% da produção estadual vai para os supermercados, depósitos de frutas ou feiras. A maior parte da produção é levada para as três indústrias de sucos concentrados do Paraná, localizadas em Paranavaí (Cocamar e Citri) e em Rolândia (Corol). E praticamente todo o suco é exportado, principalmente para a Europa, onde a recessão aterrissou desde o ano passado e também provocou queda nas vendas do produto. "Nossa esperança é a retomada do crescimento nos países europeus para que o consumo de suco volte a crescer", diz Pratinha. Ele acrescenta que os preços do produto até o fim do ano são uma incógnita, já que os estoques estão altos.

A Cooperativa Agroindustrial Cocamar, que deu a largada na colheita, há 15 dias, aposta numa produtividade média de 2 a 2,5 caixas por planta. O agrônomo da cooperativa, Leandro César Teixeira diz que, apesar da seca, os pomares estão bem nutridos e devem garantir uma boa produção. Somente a Cocamar possui 6,2 mil hectares de laranja em fase de produção na região de Paranavaí.

Ao todo, a cooperativa tem 8,2 mil hectares cultivados na região Noroeste. A previsão é produzir 4,4 milhões de caixas da fruta na safra atual, contra 3,6 milhões da safra passada, o que corresponde a um aumento de 800 mil caixas. A colheita vai continuar até o fim do ano.

Os irmãos Luiz Cláudio e Flávio Marcon destinaram 20% do sítio de 50 alqueires para o cultivo da laranja no bairro Cione em Cruzeiro do Oeste. São 3.500 pés em fase de produção e outros 5.000 em formação com apenas dois anos do plantio. Na propriedade deles, a seca deixou prejuízos e a previsão de quebra na safra é de aproximadamente 20%. Luiz Cláudio diz que no ano passado vendeu a caixa por média de R$ 7 e garante que se em 2009 o preço for inferior o prejuízo será grande. "Abaixo de R$ 7 a caixa a cultura se torna impraticável".

Crise mundial

Os reflexos da crise internacional também respingaram nas indústrias de citros por causa da redução no consumo de suco e da fruta. Líderes e técnicos do setor se reuniram para discutir a situação e, segundo o técnico do Departamento de Economia Rural do Paraná Paulo Andrade, a esperança de reação positiva é grande. Por isso, "os projetos de novos empreendimentos estão mantidos por causa da confiança num futuro promissor".


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