Furlan e Lamy querem acelerar acordo Mercosul-UE
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Agronegócio

Furlan e Lamy querem acelerar acordo Mercosul-UE

Por: -Admin

As negociações Mercosul-União Européia podem desta vez realmente ser aceleradas, depois de consolidada a transição nos governos da Argentina e do Paraguai, para terminar bem antes da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Essa foi a avaliação comum feita ontem pelo ministro de Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e o comissário europeu de comércio, Pascal Lamy, em encontro em Bruxelas.

"Estou otimista sobre a possibilidade de levar a bom termo a negociação", disse Furlan ontem à noite, em Genebra. "Acredito que, com um desfecho favorável ao candidato pró-Mercosul na Argentina, muito provavelmente nos próximos sessenta dias pode haver uma reunião de cúpula do Mercosul, e daí saia a prioridade de avançar com a UE".

Espaço para concessões

O ministro Furlan observou que há espaço para flexibilidade nas concessões em bens e serviços. "Na hora em que existe decisão política, as coisas tendem a caminhar", enfatizou. Para impulsionar as negociações, Furlan convidou Lamy a visitar de novo o Mercosul, agora, depois das eleições no Paraguai e na Argentina.

Existe tanto no Cone Sul como na Europa a percepção de que as turbulências provocadas pela ocupação do Iraque favorecem a iniciativa conjunta "pois é politicamente correta, não implica em divergências como na OMC onde o diálogo é mais complexo", afirmou.

Para analistas, o momento é de fato propício para dar a reta final nas negociações, tanto mais que a UE ficou abalada com a demonstração do poderio americano no episódio da ocupação do Iraque. Fechando com o Mercosul um acordo birregional, que vai bem além do comércio, os europeus teriam uma oportunidade, sem afrontar os EUA, de dar um passo estratégico importante na sua visão de mundo multipolar.

Teriam também a possibilidade de unir as forcas européias num projeto no continente americano, que "Washington considera como seu quintal", na expressão de Jeffrey Garten, professor de Yale e ex-subsecretário de Comércio da administração do presidente Bill Clinton. Além disso, a negociação com a UE fortalecerá a posição do Brasil e do Mercosul nas negociações da Alca, para obter melhores concessões junto aos Estados Unidos, estima Furlan.

"Uma boa negociação entre a UE e o Mercosul é extremamente importante, porque ambos são bem mais complementares do que uma negociação entre o Mercosul e os Estados Unidos", afirmou. "Os americanos concorrem com o Mercosul em muitos produtos, a começar por suco de laranja, soja, milho, trigo e carne", explicou. "Existem muitas coisas na pauta de exportação do Mercosul em que concorremos com os Estados Unidos, enquanto a União Européia é importador líquido dos mesmos produtos".

Momento parece bom

Além disso, o momento para o acordo final parece bom, segundo Furlan, quando se constata que os investidores estão vendo o Brasil de outra forma, elogiam a iniciativa presidencial de impulsionar as reformas no Congresso, e também pelo reconhecimento da liderança que o Brasil exerce nas negociações regionais.

Ontem, em Bruxelas, na discussão bilateral sobre algumas pendências, entrou o futuro acordo. Por exemplo, sobre a questão de certificação de laboratórios brasileiros para inspeção de pré-embarque para frango. Também não será surpresa se Bruxelas colocar na mesa proximamente uma "oferta de transição", aumentando a cota Hilton para o Brasil, atualmente de apenas cinco mil toneladas, bem menor do que têm a Argentina e o Uruguai.

Tributação do couro

Por sua vez, Lamy reclamou que o Brasil estaria tributando couro, prejudicando importadores europeus. Furlan rebateu dizendo que se a UE quer importar couro, não há nenhum problema. O que ficou claro, ontem, em Bruxelas, foi de que mais do que nunca o acordo birregional parece próximo - bem mais próximo do que a conclusão da Alca. Certas fontes estimam que o acordo pode ser fechado em meados do ano que vem, numa reunião ministerial no México.


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