Ganho genético do trigo cresceu 25%
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Agronegócio

Ganho genético do trigo cresceu 25%

Em três décadas o índice produtivo do PR cresceu perto de 700 quilos por hectare
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Os programas de melhoramento genético contribuíram para que a produtividade do trigo crescesse em média 25% no Paraná em 30 anos. Na região oeste, o desempenho foi ainda maior: aumento de 46%. O resultado faz parte de um levantamento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), o qual apontou que em três décadas o índice produtivo do Estado cresceu perto de 700 quilos por hectare.

‘‘Isso mostra claramente como a pesquisa tem contribuído para a melhoria do desempenho do agronegócio’’, frisou o pesquisador da Embrapa Manoel Bassoi. E esses resultados, acrescentou ele, estão relacionados apenas com o melhoramento genético. ‘‘Não avaliamos o ganho de produtividade com a melhoria do manejo, por exemplo, da sanidade das cultivares ou o uso mais eficiente de defensivos’’, reforçou o pesquisador, que coordenou o levantamento. Ele acredita que se somada todas as práticas adotadas na lavoura do grão, o ganho de produtividade tenha dobrado nas últimas décadas.

Durante dois anos, 2008 e 2009, ele implantou experimentos em três regiões do Paraná – Londrina, Ponta Grossa e Cascavel – utilizando 20 cultivares de trigo: as mais plantadas nas décadas de 1970 a 1980, 1981 a 1990 e 1991 a 2000. Foram avaliados materiais da Embrapa, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Instituto Agronômico de Campinas, Coodetec, Fundacep e do extinto Instituto Agronômico do Sul. Na região norte do Estado o ganho genético foi de 22%. Na região Sul, o levantamento ainda não foi finalizado.

Conforme Bassoi, durante a década de 1970 houve um ganho interessante de produtividade, que já não foi tão expressivo nos 10 anos seguintes. Nesses 20 anos, explica ele, entraram muitos materiais mexicanos, como a cultivar Sonora 63, que se adaptavam bem ao solo paranaense. Porém, na década de 1990 os materiais nacionais entraram com mais força na lavoura e impulsionaram ainda mais o desempenho da lavoura: cerca de 10% somente nesse período. Para se ter uma ideia do quanto cresceu a produtividade do trigo nos últimos anos, Bassoi informa que a produtividade obtida nos ensaios da Embrapa na década de 1970 era de 2 mil quilos por hectare. ‘‘Hoje, a média nos ensaios, chega a 4 mil quilos por hectare’’, frisa.

O experimento verificou também o aumento de 28% na qualidade do trigo, ou seja a força de glúten, produzido no Estado. ‘‘Verificamos que o valor de ‘W’ ou a força de glúten, que determina a qualidade do trigo para a panificação, foi bastante superior nesta última década, o que reforça a importância dos programas de melhoramento genético’’, comemora Bassoi.

Todas as cultivares foram semeadas na Vitrine de Tecnologias da Embrapa. Na última quarta-feira (18), puderam ser vistas pelos participantes do dia de campo sobre o trigo promovido pela Embrapa, em parceria com o Iapar e a Fundação Meridional.

A Embrapa ainda apresentou cinco cultivares de trigo altamente produtivas e com boa sanidade: BRS 208, BRS 220, BRS 229, BRS Pardela e BRS Tangará. A Pardela, por sua vez, é uma opção para o mercado de farinha para a fabricação de pão francês porque possui elevada força de glúten e boa estabilidade de farinha. Já a Tangará se destaca por suas qualidades industriais e boa qualidade para panificação.

O Iapar também levou para o dia de campo algumas de suas variedades, como a IPR 85, IPR 130, IPR 136, IPR 144 e ainda apresentou um material que deverá ser lançado na próxima safra, o IPR Catuara - TM (Trigo Melhorador). 


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