Geadas ameaçam safra de trigo no Paraná

Agronegócio

Geadas ameaçam safra de trigo no Paraná

As lavouras do Estado devem ser atingidas por geadas nesta quinta-feira
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Reuters - O Paraná, com potencial de colher pouco mais da metade da safra de trigo do Brasil em 2007, deve ser atingido por geadas nesta quinta-feira (26-07), justamente em um período em que as lavouras das principais regiões estão suscetíveis a perdas pelo frio intenso, disseram especialistas. As geadas devem ainda se repetir na sexta-feira e no sábado no Estado, mas a área atingida seria menor, segundo mapas meteorológicos do Simepar, o órgão do Estado encarregado de fazer os prognósticos.

De acordo com técnicos do Deral (Departamento de Economia Rural), do governo do Paraná, aproximadamente metade dos 847 mil hectares plantados no Estado está nas fases de floração e frutificação, que podem sofrer perdas, dependendo da intensidade das geadas. "Cerca de 50 por cento da lavoura está em fase suscetível, vai depender da extensão das geadas. Se ficar no centro-sul, no sul, não tem problema, mas se atingir o norte e oeste pode ter", disse o técnico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná) Robson Mafioletti, citando dados do Deral.

Segundo Agenor Santa Ritta, agrometeorologista do Deral, as temperaturas poderão ser negativas em áreas mais ao sul do Paraná, onde o trigo ainda está em desenvolvimento vegetativo, não-suscetível a geadas. Mas o frio deverá ser intenso também na região oeste, onde as plantações estão nas chamadas fases reprodutivas. Em condições normais, o Paraná colheria cerca de 2 milhões de toneladas, enquanto a safra brasileira está oficialmente estimada em 3,83 milhões de toneladas o Brasil consome cerca de 10 milhões de toneladas ao ano e importa a maior parte de sua necessidade.

Na temporada passada, o Estado perdeu aproximadamente metade da colheita por problemas de seca e, especialmente, por geadas tardias, o que gerou uma escassez do grão no mercado interno brasileiro. Isso, agora, tem obrigado o Brasil a importar mais trigo, buscando o produto até mesmo em origens não-tradicionais, como Estados Unidos e Canadá, devido à baixa oferta na Argentina, tradicional fornecedor do país que também está na entressafra.

No caso de as geadas prejudicarem a safra, a situação da oferta no Brasil tende a se apertar ainda mais, pois o Estado já plantou menos trigo do que costuma a área paranaense era de 1 milhão de hectares. Nesta ano, a segunda safra de milho (safrinha) avançou em áreas tradicionalmente tritícolas.

Maior risco:

"Quando tem previsão de geada para o Estado, a região de Campo Mourão costuma ser atingida também", destacou a agrônoma Margorete Demarchi, do Deral, referindo-se a uma das principais áreas produtoras, onde 80 por cento da safra corre risco. Campo Mourão plantou 90 mil hectares, ou pouco mais de 10 por cento da área do Estado. Outras regiões tradicionais que podem ser atingidas pelas geadas, segundo o Simepar, são: a de Cascavel, com 75 mil hectares de trigo e a maior parte em fases suscetíveis, e Toledo, com 72 mil hectares, onde 70 por cento das lavouras podem sofrer perdas.

A agrônoma lembrou ainda que algumas áreas no norte do Estado já foram atingidas por uma seca por um período prolongado, antes das chuvas voltarem, o que já gerou perdas. No Rio Grande do Sul, segundo produtor do Brasil, com potencial para colher 35 por cento da safra brasileira, a maior parte das lavouras está em desenvolvimento vegetativo. Portanto, sem riscos de ser atingida pelo frio.


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