Geadas já afetam preços de hortaliças no Paraná

Agronegócio

Geadas já afetam preços de hortaliças no Paraná

Na Ceasa ontem, produtos folhosos sofreram reajuste de até 71%; alta ainda não chegou ao supermercado
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Curitiba - A ocorrência de geadas nesta semana no Paraná pode pesar no bolso do consumidor nos próximos dias. O preço das hortaliças já apresenta aumento nas negociações realizadas na Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa-PR). A caixa com 18 pés de alface, por exemplo, estava sendo negociado a preços entre R$ 7 e R$ 8 no início da semana. Após a geada o preço foi para R$ 9 a até R$ 12, um aumento de até 71%.

O reajuste, no entanto, ainda não chegou às gôndolas dos supermercados. Segundo levantamento realizado pelo Disque Economia, da Prefeitura de Curitiba, o preço dos hortifruti sofreu aumento médio de 1,25% nas últimas três semanas. Algumas folhosas tiveram até queda no preço, como a alface cujo preço registrou retração de -2,09% no período.

No Ceasa ainda não há um levantamento sobre a extensão dos danos causados pela geada à lavoura de hortaliças no estado. No entanto, o efeito do clima já está sendo sentido nas vendas realizadas em Curitiba. ''Houve uma variação de preço entre as folhosas como a alface e a couve-flor de 15% em média'', analisa o diretor da Divisão Técnica do Ceasa, Valério Borba.

''Acredito que as geadas dessa semana devem continuar a influenciar o preço nos próximos dias'', prevê. Segundo Borba as hortaliças negociadas ontem já haviam sido colhidas antes da geada, mas os produtos que começam a ser vendidos nesta sexta já serão parte da safra afetada pelas baixas temperaturas. ''A perda de produção será mais visível no fim da semana'', diz.

Em São José dos Pinhais, o produtor Gilberto Percicoti contabiliza de 40 a 50% de perdas na produção de hortaliças nos últimos dias. ''Entre os canteiros que estavam cobertos o prejuízo foi de 15 a 20% e no que estava descoberto chegou a 70%'', avalia. Percicoti diz que há também uma perda de qualidade. ''Mesmo as hortaliças que resistem ao frio ficam menos tenras, mais duras e mais disformes'', conta.

Para Henry Paulo Lira, coordenador do Disque Economia, as tradicionais promoções de verduras e frutas em grandes supermercados da cidade contribuem para segurar o preço. ''As quartas, quintas e sextas-feiras são dias de feirão e é possível que os mercados utilizem o que ainda têm em estoque para manter o preço'', analisa.

Entre os hortifruti, o produto com maior alta nas últimas três semanas foi o chuchu, que sofreu variação de preço de 31,20%. Já o melão teve alta de 20,08% e o tomate registrou reajuste de 18,50%. O preço do mamão papaya caiu -26,01%, o da batata doce retraiu -14,99% e o pepino ficou -6,67% mais barato.

Outro fator que ajuda a empurrar o preço das hortaliças para cima é a redução da produção devido ao frio. ''Nessa época o próprio produtor reduz o plantio e aproveita para fazer rodízio de cultura'', informa Rodrigo Monteiro, engenheiro agrônomo da Prefeitura de Colombo (região metropolitana de Curitiba).

''O mercado paranaense acaba sendo abastecido nessa época do ano por produtores de São Paulo e Espírito Santo, cujas lavouras não são tão castigadas pelo frio'', conta Borba.

Para o consumidor final, a dica é investir em hortaliças mais resistentes. ''A cenoura, a beterraba sofrem menos com o frio e podem ser menos sujeitas ao aumento de preço'', aposta Monteiro. ''Mas as opções são limitadas porque, em geral, todas as hortaliças são sensíveis à geada'', conta.


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