Goiás lidera confinamento de gado

Agronegócio

Goiás lidera confinamento de gado

Entre os 50 maiores confinamentos do País, 54% dos bovinos no estado
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Goiás vai liderar com folga em animais confinados neste ano. Entre os 50 maiores confinamentos do País, 54% dos bovinos estão naquele estado. A disponibilidade de alimento, o avanço da agricultura sobre a pecuária e a entrada de frigoríficos neste setor explicam a liderança goiana. Em 2006, o estado tinha 48% dos animais confinados no Brasil e, no início da década, 26% - era o segundo colocado, atrás de São Paulo. As três maiores propriedades em número de animais ficam no estado, sendo uma delas do Bertin - Fazenda Planura, em Aruanã, com 93,2 mil animais confinados em 2006. O País terá este ano confinamento recorde, com cerca de 2,5 milhões de bovinos.

Pesquisa da Agripoint Consultoria Ltda com os 50 maiores confinamentos do País mostra que o setor pode crescer mais de 40% neste ano, somando 1,3 milhão de animais. Juntas estas fazendas respondem por aproximadamente metade do volume de confinamento do Brasil. André Camargo, analista da consultoria, explica que o número sempre é mais otimista que a realidade. No ano passado, foram confinados nestas propriedades 933,9 mil bovinos, alta de 16,52% em relação a 2005. Mas a pesquisa de intenção indicava aumento de 27,9%.

De acordo com a série histórica da Agripoint, o crescimento no volume de animais confinados será o recorde na década. Até então, a maior variação ocorreu em 2003, com alta de 26,9%. "Os confinadores estão de olho em um mercado que tem preços melhores em outubro, na entressafra", diz Camargo.

Os números da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) vão ao encontro das perspectivas da consultoria: a estimativa é de aumento de 26,2% nos animais confinados. Pelas projeções da Scot Consultoria, o crescimento será de 18%. "A atividade vem bem nos últimos anos e, com o reajuste do mercado futuro e a subida do preço do boi gordo, há indícios favoráveis para o confinamento", diz Fábio Dias, diretor-executivo da Assocon.

De acordo com a pesquisa da Agripoint, o Centro-Oeste detém 77% dos animais confinados do País. Há cinco anos, tinha 58%. Além do crescimento de Goiás, Dias aponta para o aumento registrado em Mato Grosso, que hoje tem 15% dos bovinos confinados. "Mato Grosso que vai rivalizar com Goiás nos próximos anos, pois tem grãos e um bom parque de produção de bovinos", explica.

Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria, acredita que o aumento do confinamento - sobretudo em Goiás - é decorrente, em parte, dos investimentos dos frigoríficos no sistema. "O avanço da agricultura espreme a pecuária e o confinamento torna-se a saída", avalia Rosa. O pecuarista Antônio Flávio Camilo de Lima, de Palmeiras de Goiás (GO), começou a confinar seus animais há quatro anos, apesar de estar na atividade há duas décadas. "É uma alternativa para antecipar a venda do boi gordo", diz. Atualmente, dos bovinos em engorda, entre 50% a 60% estão confinados. Segundo ele, a tendência para este ano é aumentar, uma vez que a carência de boi gordo indica perspectiva de alta para a cotação do boi.

No ano passado, São Paulo se manteve no topo da lista dos 50 maiores confinamentos com 17 fazendas ou 34% dos estabelecimentos. Mas na quantidade de animais confinados, Goiás deteve o primeiro lugar: 48,07%.

Em 2006, 98% das fazendas pesquisas rastrearam seus animais e 28% usaram certificações, como a Eurepgap. Para este ano, 92% afirmam que vão rastrear o gado. A pesquisa apontou também que 20% dos animais confinados foram negociados na Bolsa de Mercadorias e Serviços (BM&F).

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