Governador do Paraná ameaça devolver porto de Paranaguá à União
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Agronegócio

Governador do Paraná ameaça devolver porto de Paranaguá à União

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O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), ameaçou ontem (08-03) devolver a administração do porto de Paranaguá para o governo federal, se for obrigado a escoar transgênicos pelo terminal. Desde outubro do ano passado, o porto está fechado para importação e exportação de organismos geneticamente modificados.

De acordo com o porta-voz de Requião, Benedito Pires Trindade, o governador adotaria a medida "numa situação extrema", ou seja, se o governo federal não conceder ao Paraná o título de área livre de transgênicos.

Trindade disse que Requião não irá "conceder nessa questão dos transgênicos". "No entanto, o governador acha que não será preciso chegar a uma situação extrema. Ele só fez um comentário e espera que isso seja resolvido e [a devolução do porto] não vai acontecer", afirmou o porta-voz.

O porto de Paranaguá é vinculado ao Ministério dos Transportes, mas, desde os anos 80, sua administração é de responsabilidade do governo do Estado, que tem um contrato de concessão do terminal com a União.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Requião ontem à tarde em Brasília para conversar sobre o assunto. Foi a segunda vez neste ano que o governador procurou Lula para pedir apoio contra os transgênicos. Na primeira audiência, Lula apoiou o projeto, segundo o peemedebista.

A nova iniciativa de Requião de conversar com Lula aconteceu devido a um episódio registrado na semana passada, em Foz do Iguaçu. Em entrevista na abertura de uma conferência mundial sobre soja, o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) voltou a descartar a possibilidade de conceder o título ao Paraná.

Furlan

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, se reúne hoje com o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), para tratar do bloqueio aos transgênicos no porto de Paranaguá.

No encontro, o ministro irá defender que o governador flexibilize a fiscalização aos caminhões. O objetivo, segundo o ministro, é não atrapalhar o escoamento da safra de grãos. Ao chegar ontem, no final da tarde a Curitiba, Furlan declarou em entrevista coletiva na sede da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) que "há uma preocupação de que as determinações do governo do Estado possam fazer com que o ritmo de escoamento da safra fique mais lento".

Segundo o ministro, "o setor privado coloca ponderações de que o governo do Estado poderia adotar margens de tolerância, que a a União Européia adota, que é a tolerância de 0,9%. Até 0,9% não é considerado transgênico."


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