Governo busca apoio de Estados contra desmatamentos ilegais

Agronegócio

Governo busca apoio de Estados contra desmatamentos ilegais

"Vamos cruzar as informações federais com as estaduais", disse Izabella Teixeira
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SINOP, Mato Grosso (Reuters) - O Ministério do Meio Ambiente está negociando com os Estados do Mato Grosso, Pará e Amazonas a assinatura de acordos para compartilhar informações sobre áreas rurais com licença ambiental para desmate, com o objetivo de facilitar a identificação dos casos de ilegalidade.

"Vamos cruzar as informações federais com as estaduais. Quero saber onde o Estado autorizou o desmatamento. A responsabilidade é do Estado, mas as informações precisam ser compartilhadas", disse na quarta-feira a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que acompanhou ações do governo federal no combate ao desmatamento ilegal em Mato Grosso.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também acompanhou a operação.

O governo decidiu montar um gabinete de crise para combater o desmatamento depois que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou, na semana passada, um salto no índice de desmatamento na Amazônia. Entre março e abril deste ano, chegou a 593 quilômetros quadrados, um aumento de 472,9 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

Para ambientalistas, o aumento no desmatamento está ligado à expectativa de enfraquecimento da legislação com o novo texto Código Florestal, aprovado na Câmara dos deputados na terça.

Horas antes da votação, ao receber ex-ministros do Meio Ambiente, a presidente Dilma Rousseff sinalizou que haveria alguma relação entre o aumento do desmatamento e a expectativa de que o novo texto poderá aumentar a impunidade.

Na ação acompanhada nesta terça na região de Sinop, a 501 quilômetros de Cuiabá, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apreendeu dois tratores e embargou uma área de 320 hectares, dos quais 120 já haviam sido desmatados ilegalmente.

Os desmatadores usaram a prática conhecida como "correntão", na qual uma corrente grossa de metal é presa a dois tratores que a usam para derrubar a mata.

"Com o correntão, a fauna não tem chance de fugir. A corrente atropela tudo", disse o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Menezes Evaristo.

Segundo o diretor do Ibama, desde janeiro o órgão ambiental já aplicou o equivalente a 300 milhões de reais por desmatamentos ilegais no Mato Grosso, Pará, sul do Amazonas e Rondônia. Ao todo, 43 tratores já foram apreendidos.

O governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), que acompanhou os ministros, anunciou que o Estado passará a proibir a prática em desmatamentos autorizados.

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