Governo entrega equipamentos agrícolas em assentamento na Lapa

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Governo entrega equipamentos agrícolas em assentamento na Lapa

Os equipamentos, no valor de R$ 1 milhão, foram comprados com recursos de emenda de bancada federal
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Os equipamentos, no valor de R$ 1 milhão, foram comprados com recursos de emenda de bancada federal

A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento entregou nesta quarta-feira (14) 39 equipamentos, entre tratores de pequeno e médio porte, caminhão, veículo e implementos agrícolas para a cooperativa Terra Rica, formada por agricultores familiares do assentamento do Contestado, na Lapa.

O secretário Norberto Ortigara, e o assessor especial para Assuntos Fundiários do Governo do Estado, Hamilton Serighelli, estiveram na área do assentamento, onde residem cerca de 150 famílias, e conheceram o projeto de horticultura agroecológica desenvolvido na localidade.

Os equipamentos, no valor de R$ 1 milhão, foram comprados com recursos de emenda de bancada federal que viabilizou o estabelecimento de um convênio firmado entre o governo do Paraná, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 17,6 milhões. Os equipamentos vão ajudar na melhoria e expansão do projeto, disse um dos coordenadores do assentamento, Carlos Neudi Finhler.

Cerca de 94% do convênio já foi executado pela Secretaria da Agricultura, que já entregou mais de 1.000 resfriadores de leite e caminhões para produção leiteira em outros assentamentos no Estado, que já beneficiaram mais de 10 mil famílias.

Segundo Ortigara, ainda há uma sobra de cerca de R$ 7 milhões desse convênio, incluindo o acréscimo dos investimentos financeiros, cuja aplicação está sendo definida com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em novas compras ou obras nos assentamentos.

CONTESTADO

Na área do assentamento do Contestado, com cerca de 3.200 hectares, funciona a Escola Latino-Americana de Agroecologia, em convênio com o Instituto Federal do Paraná, para formação de graduandos em agroecologia. Na mesma linha, os agricultores familiares que participam do assentamento produzem alimentos agroecológicos e fornecem, em sua maioria, para os programas federais Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de abastecer as 15 feiras de produtos orgânicos que funcionam em Curitiba e o mercado municipal.

Ortigara e Serighelli visitaram a área explorada pela família de Odair Trizoti Saldanha e sua esposa Julia Maliglod. Eles produzem cerca de 15 variedades de alimentos entre feijão, pepino, abobrinha, batatinha, amora, morango, beterraba, pimentão, brocolis, tomate, todos com certificacão que atesta a origem agroecológica, isenta de aplicação e de resíduos de agrotóxicos.

A família utiliza recursos preconizados pela Agroecologia como o canteiro de palha ao lado do canteiro com legumes, para evitar a erosão e proteger o solo, técnica que não agride a natureza.

“Tudo o que a gente produz, a gente vende”, disse o produtor Odair Saldanha. Ele disse que está há 17 anos no assentamento e está muito satisfeito com a produção orgânica. Ele mantém em sua área de exploração (cerca de 10 hectares) entre 7.000 a 8.000 pés de morango, cultivados em canteiros elevados, cobertos com plástico e irrigados por gotejamento.

COOPERATIVA

A produção é absorvida pela cooperativa Terra Viva, formada com os demais agricultores do assentamento, que recebe de uma a 20 toneladas de alimentos por semana. Por sua vez destina os produtos para a agroindústria própria ou para venda de alimentos “in natura” nas feiras livres de Curitiba e no mercado municipal. Na agroindústria, as frutas são transformadas em polpa ou em sorvetes naturais, também com toda a produção comercializada pela cooperativa.

A cooperativa Terra Rica mantém um barracão para manutenção dos equipamentos e veículos, que fornece para os 75 lotes do assentamento que produzem alimentos orgânicos.

Segundo Antonio Capitani, da direção da cooperativa, os agricultores assentados são conscientes sobre a responsabilidade de manter em bom estado os equipamentos. “Eles foram comprados após muita luta e por isso são bastante valorizados. Temos a preocupação de não deixar essas máquinas e veículos no tempo para não estragar e esse barracão também foi uma grande conquista”, disse Capitani.

O próximo passo da cooperativa, acrescentou, será a construção de uma padaria que também vai fornecer produtos orgânicos certificados. “Estamos nos capacitando para atender esse nicho de mercado que tem na cidade que valoriza a produção orgânica e agroecológica”, disse Capitani.

Para o secretário Norberto Ortigara, o assentamento do Contestado é regular e merece o apoio do Estado. “Nossa parceria mostra que a reforma agrária não é só dar a terra. Mas dar também o apoio técnico e logístico e aqui tem um belo exemplo de que esses agricultores têm capacidade de produzir e processar o alimento. O Contestado se transformou numa comunidade rural que oferece oportunidade de vida para as pessoas e a renda gerada aqui dinamiza a economia da Lapa”, argumentou.

Para o dirigente do assentamento, Carlos Finhler, o Contestado já nasceu com o desafio de levar adiante a proposta de uma agricultura diferente, que alia a alimentação saudável, com a cultura e com a educação.

Participaram do encontro o superintendente do Incra, Edson de Souza Barroso; o deputado estadual Tadeu Veneri; a prefeita da Lapa Leila Klenk, e representantes da Defensoria Pública, do Ministério Público e da Secretaria estadual de Justiça, Trabalho e Direitos Humanos.


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