Governo erra em projeção da safra agrícola em MT
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Agronegócio

Governo erra em projeção da safra agrícola em MT

Estimativa da Globalsat indica que a área plantada de grãos na safra 2006/07 tem 1,065 milhão de hectares a mais do que mostram os números oficiais
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Estimativa da Globalsat Monitoramento Agrícola, empresa com sede em Rondonópolis (MT), indica que a área plantada de grãos em Mato Grosso, na safra 2006/2007, tem 1,065 milhão de hectares a mais do que mostram os números oficiais. Segundo a empresa, a área agrícola chegará a 8,398 milhões de hectares. Os números do quinto levantamento de safra feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, apontam para uma área total de 7,333 milhões de hectares nesta safra.

Mas o diretor técnico da empresa, Leandro Fabiani, destaca que a previsão é que as plantações da oleaginosa ocupem cerca de 6 milhões de hectares no Estado. Os outros 320 mil hectares correspondem à área de soja plantada em dezembro. Fabiane explica que, como o levantamento é feito por imagens de satélite, ainda não foi possível precisar a área das lavouras mais jovens. “No próximo imageamento já deveremos ter esse número (sic)”.

Segundo os dados da Conab, a área de soja nesta safra será de 5,007 milhões de hectares. Isto significa uma diferença de 993 mil hectares em relação aos números apurados pela empresa de geoprocessamento. Na opinião de Fabiani, a divergência nos números é uma conseqüência da metodologia de pesquisa empregada pelo órgão oficial, que seria muito antiga. Por conta disso, ele acredita que a tendência é que nos próximos levantamentos de safra a área seja ajustada para mais, se aproximando do que ele considera ser a extensão real de cultivo dos grãos.

O técnico em planejamento do setor de Levantamento e Avaliação de Safra da Conab, Benício Sampaio, defende que os ajustes feitos pela companhia ao longo da safra não têm como base outras pesquisas. Segundo ele, a variação que ocorre do primeiro até o décimo monitoramento é resultado das oscilações naturais no desenvolvimento da planta, que conforme o clima pode alcançar maior ou menor produtividade. Ele diz ainda que a metodologia adotada pela Conab é de 1977, mas garante que a cada ano a técnica usada pelo órgão é aperfeiçoada.

Sampaio revela que a Conab trabalha com uma margem de erro de 5% para mais ou para menos nos levantamentos de safra, o que justifica os ajustes feitos ao longo do ano agrícola. Para o diretor técnico da Globalsat, a divergência na área plantada de soja, por exemplo, significa uma diferença de aproximadamente 2 milhões de toneladas na produção do grão. “Imagina quanto isso representa em impostos?”, indaga, lembrando que uma área maior significa mais dinheiro circulando na economia, em função do consumo de óleo diesel e geração de emprego, por exemplo.

O técnico em planejamento da Conab destaca que não existe, por parte do Governo, interesse em alterar os números da área de produção. Ele lembra que os dados oficiais são usados como subsídio à política agrícola brasileira. “Fazemos o levantamento para atender o Mapa, que, como Governo, quer proteger tanto o produtor como o consumidor final. Por isso, a pesquisa da Conab é isenta de qualquer pretensão. Diferente de uma empresa particular que pode ter outro tipo de interesse”, diz.

Sampaio defende ainda que para fazer o levantamento a Conab não se utiliza apenas de imagens, o que na opinião dele pode resultar em erros. “Nosso método usa entrevistas e visitas in loco. Ouvimos todos os agentes envolvidos no andamento da safra, como produtores, agrônomos e técnicos do Banco do Brasil”, frisa. Ele acrescenta ainda que: “A maior prova que os números são confiáveis é o fato de que todo o mercado se baseia nesses resultados. Se nossos números não tivessem credibilidade o mercado não confiaria”.

Fabiane explica que a Globalsat também não se utiliza apenas das imagens de satélite para realizar a pesquisa de safra. Segundo ele, os dados são confirmados ‘a campo’ por uma equipe de cinco técnicos da empresa, que saem em visita às lavouras do Estado. Ele diz também que as imagens de satélite passam uma informação confiável em porções de terra superiores a cinco hectares, o que garante a cobertura das lavouras comerciais das principais culturas desenvolvidas em Mato Grosso.


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