Grãos podem enfraquecer produção de cana no PR
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Agronegócio

Grãos podem enfraquecer produção de cana no PR

Neste ciclo Estado tem previsão de colher em torno de 45 milhões de toneladas
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A alta dos preços da soja e do milho pode retrair o plantio da cultura no próximo ciclo; Estado já colheu 60% da safra 2012/13 

Com a alta dos preços da soja e do milho no mercado de commodities, motivada pela quebra de safra nos Estados Unidos, muitos produtores de cana-de-açúcar do Paraná poderão diminuir a área de produção da safra 2013/14 para investir em grãos. A afirmação é de Paulo Boso, presidente da Associação dos Fornecedores e Plantadores de Cana Paranapanema (Canapar), entidade que representa 300 produtores do Norte e Noroeste do Paraná. Segundo ele, canaviais mais velhos, que necessitam de renovação, tenderão a ser substituídos por grãos no próximo ciclo.


Somente dos associados da Canapar, Boso estima uma desistência de 30% que, juntos, chegam a produzir 2 milhões de toneladas de cana. Para esta safra, a produção dos 300 associados está estimada em 6 milhões de toneladas. ''O governo precisa facilitar a obtenção de crédito e comercialização no setor sucroenergético'', enfatiza. O presidente destaca que a produção de cana é rentável, mas boa parte dos canaviais necessita ser renovada para ampliar essa margem de lucro. Para isso, acrescenta ele, é necessário um alto investimento. O especialista explica que o retorno da produção de grãos é mais rápido do que renovar um canavial, por isso a probalidade de desistência de produtores na atividade.

Para o superintendente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), José Adriano da Silva Dias, a alta dos preços dos grãos provocou sim uma corrida para a produção dessas commodities, mas acredita que não haverá migração da cana-de-açúcar para grãos. ''Isso pode ocorrer apenas em casos isolados'', observa. Em termos de preços, Dias completa que os dois setores estão em equilíbrio, ou seja, a lucratividade entre os dois setores é equivalente.


Produção

Até o momento, em torno de 60% da safra paranaense de cana-de-açúcar já foi colhida. Para o ciclo 2012/13 o Estado espera colher em torno de 45 milhões de toneladas, 4,5% a mais se comparado com a produção anterior. Um dos motivos dessa alta foi o incremento de área de 8% se comparado com a safra passada. Ao todo, o Paraná destinou neste ano 600 mil hectares para o setor.

Segundo Boso, a estimativa seria maior se não fosse o excesso de chuva que atingiu o Estado em julho. O presidente da Canapar acrescenta que mesmo com a melhora na produção, a qualidade foi reduzida porque a água da chuva reduziu o índice de Açúcar Total Recuperável (ATR). ''Mas a estiagem que ocorreu logo após a esse período, ajudou a recuperar o teor de açúcar da lavoura'', explica. Em toda a região Centro-Sul, o clima seco favoreceu a evolução da qualidade da matéria-prima. A quantidade de ATR por tonelada de cana atingiu 151,78 quilos nos primeiros 15 dias de setembro, valor praticamente idêntico aos 151,93 quilos apurados na mesma data de 2011.


Em termos de volume de produção na região, a safra segue muito bem. De acordo com dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), somente na primeira quinzena de setembro, o volume processado da matéria-prima totalizou 41,97 milhões de toneladas, alta de 12,79% se comparado com a mesma quinzena de 2011. Mas em relação à última metade de agosto de 2012, a entidade registrou uma queda de 9,68%, quando somou 46,47 milhões de toneladas.

No acumulado desde o início da safra 2012/13 até o dia 15 de setembro, a quantidade de cana-de-açúcar moída alcançou 349,53 milhões de toneladas, contra 376,71 milhões de toneladas verificadas em igual período do ano anterior. Porém, especialistas da Unica observaram uma defasagem de 27,19 milhões de toneladas de cana processada no comparativo entre as safras 2012/13 com o ciclo anterior. O levantamento realizado pela Unica aponta também que o aproveitamento médio de moagem das unidades produtoras tradicionais localizadas na região Centro-Sul alcançou 88,65% na primeira metade de setembro, contra mais de 90% observados em quinzenas anteriores.

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