EXCLUSIVO

Greenpeace aponta perigos no “Efeito Coquetel”

Portal Agrolink entrevistou, com exclusividade, Marina Lacôrte
Por: -Leonardo Gottems
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Em pesquisa divulgada pelo Greenpeace na semana passada foram apontados diversos alimentos testados contendo mais de um resíduo de agrotóxico. De acordo com a ONG (Oraganização Não-Governamental), a mistura de substâncias químicas pode causar o que é conhecido como “efeito coquetel, cujos efeitos no corpo são desconhecidos e podem ser diferentes dos efeitos causados por substâncias isoladas”.

O Portal Agrolink entrevistou com exclusividade a Marina Lacôrte, especialista em Agricultura e Alimentação do Greenpeace, e perguntou: Que estudos já existem comprovando o efeito coquetel?

“Existem diversos estudos. Para citar um, recomendo uma publicação de 2012, feita pela a revista científica Plos One¹, intitulada ‘A Preliminary Investigation into the Impact of a Pesticide Combination on Human Neuronal and Glial Cell Lines In Vitro’.  Destaco também que o relatório do Greenpeace, ‘Agricultura Tóxica’, traz mais referências de estudos a respeito do chamado ‘efeito coquetel’, sugerimos a leitura”, responde ela.
 
De acordo com a especialista, “a presença de mais de um agrotóxico foi observada em diversas amostras e agrega uma preocupação a mais para a saúde das pessoas por conta do efeito coquetel, que é a possibilidade de interação entre diferentes substâncias, gerando efeitos que não são investigados pelas autoridades durante o processo de avaliação e registro e que podem ser diferentes e/ou piores que os efeitos de cada substância isolada”. 

“Sabendo que boa parte das pessoas ingerem mais de um resíduo de agrotóxico diariamente, reforça-se a necessidade de realizar estudos que sejam capazes de comprovar os efeitos dessas substâncias combinadas, e não apenas da substância isolada. Ou se avalia esses efeitos devidamente, ou o recomendado é aplicar o princípio da precaução, que diz que quando uma atividade representa ameaças de danos ao meio ambiente ou à saúde humana, medidas de precaução devem ser tomadas, mesmo se algumas relações de causa e efeito não forem satisfatoriamente estabelecidas cientificamente²”, conclui.

Amanhã: Greenpeace explica como acha que a produção agroecológica poderia alimentar o planeta

1. Autores do estudo: Michael D. Coleman, John D. O'Neil, Elizabeth K. Woehrling, Oscar Bate Akide, dunge, Eric J. Hill, Andre Menache, Claude J. Reiss. Para mais informações acesse: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0042768

2. Declaração de Wingspread de 1998. O princípio surgiu na Alemanha e foi explicitamente adotado pela ONU e por acordos internacionais, fazendo com que ele assuma a forma de Lei nos países que fizerem parte desses acordos. O Brasil foi signatário da Convenção da Mudança Climática e da Convenção da Diversidade Biológica, ambas ratificadas pelo Congresso Nacional. Como nessa última há menção explícita ao PP, este deve assumir também a forma de Lei no país.

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