Grupo Guaporé arrenda frigorífico do Independência

Agronegócio

Grupo Guaporé arrenda frigorífico do Independência

Além da possibilidade de fusão entre as gigantes Bertin e Marfrig, outras empresas do setor começam a ganhar espaço
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O arrendamento das plantas do Frigorífico Quatro Marcos pela JBS-Friboi pode ser só o começo de uma reestruturação no segmento de carne bovina. Além da possibilidade de fusão entre as gigantes Bertin e Marfrig, outras empresas do setor começam a ganhar espaço. Uma delas é o Grupo Guaporé Carnes que adquiriu uma das plantas do Independência no Mato Grosso, em uma negociação da ordem de R$ 60 milhões - valor superior à dívida de mais de R$ 50 milhões que o frigorífico tem com 600 pecuaristas do estado. Os cerca de 500 funcionários da planta, instalada no Município de Colíder, começam a ser realocados e os abates poderão ser retomados já a partir da próxima semana.

No mês passado, a companhia inaugurou uma nova planta em São Miguel do Guaporé, em Rondônia. Com um investimento de R$ 25 milhões, a unidade terá capacidade para abater 600 animais por dia. De acordo com a empresa, o frigorífico é o maior investimento privado da cidade. "Rondônia vive um ciclo de crescimento muito acima da média nacional, principalmente ligado ao agronegócio", avalia Anésio Elias Júnior, presidente da Guaporé. Atualmente a empresa tem cinco plantas industriais, além de uma empresa fabricante de biocombustíveis, a Agrodiesel, a holding GTSA e a Fazenda Carol Mila.

A movimentação no segmento da pecuária, iniciado pelos pedidos de recuperação judicial de empresas do setor, também está motivando os próprios pecuaristas a entrarem no ramo da agroindústria. Na região do Araguaia e Alto Xingú, no Mato Grosso, um grupo de fornecedores e credores dos frigoríficos Independência, Margen, Arantes e Quatro Marcos, está à procura de uma unidade industrial para realizar um arrendamento.

De acordo com o pecuarista Carlito Guimarães, presidente da Associação dos Fazendeiros do Xingu (Asfax), cuja empresa tem Coopercarne como razão social, com o agravamento do processo de endividamento das empresas da região os pecuaristas estão buscando uma aquisição como forma de viabilizar os abates. "Antes nós tínhamos sete opções para vender nossa produção, hoje apenas três frigoríficos estão abatendo na região", diz Guimarães. Segundo ele, muitos pecuaristas estão tendo que levar os animais para abater em outros estados, como Goiás e São Paulo, realizando trajetos que chegam a ultrapassar 1 mil quilômetros. "Isso acaba dobrando custo do frete da carne e resultando na perda de peso dos animais", avalia.

Guimarães aponta quatro opções de arrendamento: uma planta do Arantes, na cidade de Canarana, uma antiga planta do International Food Company (IFC) em Nova Xavantina, que já havia sido arrendada pelo Independência, uma unidade do Margen, em Barra do Garças e uma do Independência, na cidade de Confresa.

A Coopercarne já teria tentado negociar com as três companhias, além do Grupo Quatro Marcos, mas tem enfrentado uma certa resistência. "Eles não aceitam que estão falidos e acreditam que vão conseguir renegociar todas as dívidas", afirmou Guimarães.

Caso não seja fechado negócio com nenhuma das empresas, que estão com as unidades industriais paralisadas, a própria Cooperativa poderá construir um frigorífico na região.

A iniciativa dos produtores em avançar na cadeia da carne deve ganhar mais forma com as novas aquisições da JBS já que, se por um lado, comemoram a retomada de cinco unidades, por outro, a maioria dos pecuaristas temem a concentração no setor.

Endividamento

Os produtores do Mato Grosso continuam firmes no propósito da venda de gado apenas sob pagamento à vista. Segundo a Federação de Agricultura do Mato Grosso (Famato), atualmente 60% das negociações estão sendo praticadas à vista, devido aos inúmeros pedidos de recuperação judicial dos frigoríficos, que determina a prática, e pela adesão de algumas plantas por conta da concorrência. "Vemos que há um cenário mais otimista quanto a estas questões e essa campanha é bastante oportuna para que possamos de uma vez ajustar essa prática de comercialização equivocada", afirmou o consultor de pecuária Luiz Carlos Meister.


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