ANÁLISE

Há um problema embutido nos preços do trigo argentino

Moinhos já compraram 3,46 milhões de toneladas junto ao produtor
Por: -Leonardo Gottems
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Na Argentina foi percebida uma queda nos preços do trigo depois de duas semanas de recuperação, mas esta é apenas uma correção técnica das operações no mercado a termo. Até o início de outubro os exportadores já haviam declarado compras de trigo novo por um pouco mais de 3 milhões de toneladas. 

“A Bolsa de Comércio de Rosário definiu um valor para novembro/dezembro de US$ 161,8/tonelada, contra mais de US$ 165 da semana anterior. A referência para janeiro se situou em US$ 168/t, contra US$ 170/t da última sexta-feira. Mas, o problema não é este”, alerta o analista da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Fernando Pacheco.

Segundo ele, o problema é que os moinhos já compraram 3,46 milhões de toneladas junto ao produtor até o momento. No entanto, só repassaram para o mercado internacional pouco mais da metade disto, o que significa que seu custo médio de compras está muito elevado.

“Então, as negociações efetivas não podem se basear nem nos preços pagos atualmente aos agricultores, nem nos preços (teóricos) pedidos pelos exportadores no momento, por que o que as Tradings realmente querem (que na saída via exportação na Argentina, ou na margem de suas operações de importação no Brasil) são preços mais elevados, para compensar este preço médio alto. Isto vem de encontro ao que os agricultores também querem, isto é, preços mais altos. E este é, por consequência, um fator de alta para os preços do trigo no Brasil também, depois de dezembro. Os novos negócios com produtor, estão parados, porque estes querem valores mais altos do que aqueles pelos quais venderam no início das operações”, explica.

No que se refere ao estado das lavouras, nas principais regiões trigueiras se mantêm condições boas ou muito boas, o que permite projetar um rendimento de 3.060 kg/ha. Ainda que falte atravessar etapas chaves para o cultivo, se projeta uma produção em torno de 16 milhões de toneladas, o que seria 1,5 milhão de toneladas a menos do que a do ano passado, quando o país colheu 17,5MT.

Com relação à parte afetada, as chuvas da semana passada voltaram a acender os alertas sobre a situação hídrica. A Bolsa de Cereales de Buenos Aires reportou que metade do trigo está com problemas de excessos. “A grande dúvida é se esta situação poderá ter algum efeito sobre a produção. E no caso do trigo é muito provável que realmente tenha, especialmente no caso da qualidade. Como no norte do país a situação é inversa e o problema é a falta de umidade, se esperam rendimentos mais baixos para esta região”, afirma o analista da T&F.

“Estas condições se associam em geral com níveis altos de proteína. Isto significa que poderia ser um ano com bom nível de proteína no norte, mas mau no sul. Os produtores que estão na zona boa, poderiam encontrar atrativo e aguardar para ver se será este um ano de mercado com prêmio para este grão”, conclui Pacheco.

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