Hor­ti­nor­te via­bi­li­za prá­ti­cas ra­cio­nais na la­vou­ra

Agronegócio

Hor­ti­nor­te via­bi­li­za prá­ti­cas ra­cio­nais na la­vou­ra

O programa começou com o tomate, mas vem se estendendo a outras culturas
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Produzir com qualidade, garantindo renda e sustentabilidade da propriedade e preservação do ambiente dá o norte de um programa desenvolvido pela Emater com produtores de hortaliças do Paraná. É o Hortinorte, que tem como prioridade a diminuição e racionalização do uso de agrotóxicos, O programa começou com o tomate, mas vem se estendendo a outras culturas. Agrônomos e técnicos da Emater, das prefeituras e empresas privadas de assistência técnica monitoram as lavouras, visando a redução de até 50% da aplicação de inseticidas.

A busca pela produção racional envolve ações que resultam em benefícios à produtividade, saúde do agricultor e trabalhador rural, economia de água e redução de danos ao ambiente. A multiplicação das informações é feita por meio de dias de campo, que atingem, em média, 850 produtores do Norte e Centro do Estado por ano.

A principal estratégia do Hortinorte, de acordo com Paulo César Hidalgo, coordenador do programa, é a mudança de comportamento do agricultor. ‘‘Em vez de seguir o calendário de aplicação, o horticultor é convencido de que o monitoramento é mais vantajoso do ponto de vista econômico e ambiental’’, afirma.

Segundo Hidalgo, agrônomos e técnicos atuam no monitoramento das lavouras. O trabalho tem o reforço de pessoas treinadas para desempenhar a função, e que recebem salário de R$ 500,00 durante quatro ou cinco meses, que é o período da safra principal. O coordenador do programa afirma que a disseminação dos benefícios da prática provoca um aumento de interesse. ‘‘Há muitas pessoas que atuam sozinhas no monitoramento das pragas’’, diz.

A redução do número de aplicações de agrotóxicos tem outro ganho importante, segundo Hidalgo. O trabalhador, que no esquema tradicional faz de 30 a 40 aplicações na lavoura, fica menos exposto à toxidade dos produtos. ‘‘Um dos principais pontos do programa é a saúde do trabalhador. Os aplicadores passam por acompanhamento médico’’, afirma. A iniciativa já rende frutos: segundo dados do Hortinorte, 15% utilizam os equipamentos de proteção adequadamente durante a aplicação; de 70% a 80% usam parcialmente.

Água e solo são outras prioridades do programa que têm efeitos diretos nos resultados da horticultura. O programa Hortinorte incentiva a adoção do plantio direto, que permite os mesmos benefícios da tecnologia quando aplicada nas culturas anuais. ‘‘A palhada protege o solo, melhora a atividade biológica e possibilita economia de água’’, diz Hidalgo, que também cita como vantagem a diminuição da erosão e menor ocorrência de doenças do solo. Segundo ele, 40 produtores do programa já adotaram a tecnologia.

Irrigação por gotejamento e participação no Programa de Irrigação Noturna (PIN) do governo do Estado estão entre as práticas que viabilizam o Hortinorte. Para defesa e preservação ambiental, os horticultores são orientados a utilizar fitilho plástico em substituição às estacas de madeira. ‘‘De seis a sete milhões de estacas deixam de ser retiradas, o que diminui o impacto ambiental’’, contabiliza Hidalgo. A prática tem ainda como vantagem impedir que os fungos de uma madeira eventualmente contaminada atinjam as lavouras.

O sucesso do agricultor depende também da organização na hora de vender o produto. O Hortinorte vai atuar também para melhorar o sistema de comercialização e para isso elaborou projetos que estão tramitando no programa estadual ‘Alimenta Paraná’.

Pelos projetos, que serão desenvolvidos nos municípios de Primeiro de Maio , Faxinal, Wenceslau Braz, Santo Antônio do Paraíso, Santo Antônio da Platina, Reserva e no distrito londrinense de Guaravera, serão implantados centros de comercialização em barracões com acesso à internet para monitorar preços e máquinas de classificação, padronização e limpeza dos produtos.

Outra estratégia para beneficiar os produtores é a compra conjunta de insumos que, segundo o coordenador do Hortinorte, possibilita uma economia entre 20% e 30%.

De acordo com Hidalgo, até mesmo revendas de defensivos participam dos dias de campo promovidos pelo programa. ‘‘É importante que eles (vendedores) tomem conhecimento desta agenda e façam a venda racional dos produtos’’, afirma.


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