Hora de controlar e prevenir a ferrugem asiática

Agronegócio

Hora de controlar e prevenir a ferrugem asiática

Com o aumento do número de focos da ferrugem asiática, agora são 12 os estados contaminados pelo fungo no Brasil
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Com o aumento do número de focos da ferrugem asiática, que já atinge 12 estados brasileiros (MT, PR, RS, MA, GO, MS, SP, SC, DF, TO, RO, BA), os sojicultores precisam adotar medidas eficazes de controle e prevenção. O pesquisador da Embrapa Cerrados(Planaltina-DF), Plínio Itamar de Mello de Souza, explica que as medidas para controlar a doença envolvem o controle genético, cultural e químico.

A queda prematura das folhas é uma das características da infecção pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem. O primeiro sintoma é o amarelecimento das folhas. Quanto mais cedo ocorrer a desfolha, menor será o tamanho dos grãos e, conseqüentemente, maiores as perdas de rendimento e qualidade. O controle genético ocorre a partir do desenvolvimento de materiais resistentes, ou seja, variedades resistentes à doença.

Para fazer o controle cultural deve-se seguir algumas orientações. A primeira é evitar a monocultura de soja, pois a proliferação de fungos, insetos, doenças e pragas será maior. O espaçamento entre linhas deve ser igual ou superior a 45 metros, pois quando as plantas estão muito próximas há maior dificuldade de penetração dos fungicidas nas camadas inferiores da planta.

Também é importante, de acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério do Agricultura, Pecuária e Abastecimento. seguir a época correta de semeadura, não permitir o desenvolvimento de “soja guaxa” ou “tiguera” e a ocorrência de desequilíbrio nutricional da planta. Na opção pelo controle químico, deve-se começar a monitorar o estádio vegetativo e observar as folhas. Quando o plantio é tardio, o monitoramento deve ser quase que diariamente para que a aplicação do fungicida seja feita imediatamente à detecção da doença, pois quanto mais tarde maior a pressão do inóculo.

Resistência às pragas

A segunda praga que mais preocupa na cultura da soja é o nematóide de cisto, que começou a atacar as lavouras em 1992. A praga ataca a raiz da soja, prejudica o crescimento e provoca a morte da planta antes de completar o ciclo. O programa de melhoramento da soja desenvolvido pela Embrapa Cerrados lançará, na próxima safra, a cultivar Raíssa, resistente ao nematóide de cisto.

Outras cultivares lançadas pela Embrapa Cerrados que terão sementes disponibilizadas para os produtores são a Indiara e a Raimunda. Ambas são resistentes ao nematóide de galha. O nematóide de galha, assim como o de cisto, ataca a raiz da planta. A identificação da doença é feita pelas folhas, ficam com manchas, e as raízes com galhas. Além de resistentes aos nematóides, essas cultivares produzem, pelo menos, 5% acima das variedades mais plantadas no país, que são a Conquista, Pintado e Sambaíba.

Nos anos de 2000 a 2003, as cultivares lançadas pela Embrapa Cerrados tiveram um aumento de 14,4% de produtividade. Isso pode representar um ganho genético de até 3%, superior aos Estados Unidos que é de 1%. O programa de pesquisa de soja da Embrapa tem a finalidade de lançar variedades mais produtivas e estáveis, tolerantes aos obstáculos ambientais, resistente às pragas e doenças e com alta qualidade de semente.

O tempo de pesquisa, para o lançamento de uma cultivar varia de 7 a 8 anos. O pesquisador Plínio de Sousa estima que tenha sido gasto um valor entre 500 a 1 milhão de dólares na pesquisa para cada cultivar. O custeio é feito pela iniciativa privada, a partir do convênio com o Centro Tecnológico para Pesquisa Agropecuária (CTPA), formado por produtores de sementes.


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