IAC aperfeiçoa teste para análise de solo
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Agronegócio

IAC aperfeiçoa teste para análise de solo

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O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) - criador da metodologia brasileira de avaliação de solos - ampliará o número de ensaios de proficiência para laboratórios privados de análise de solo para fins agrícolas. A partir deste ano, a instituição - responsável pela coordenação do Programa de Laboratórios e pela transferência da tecnologia de análise -, criará um "teste cego". Todos os 85 laboratórios receberão amostras não identificadas para avaliação dos procedimentos de análise. Os resultados serão checados posteriormente para verificar eventuais desvios de resultados.

A meta é chegar à qualidade dos dados apresentados pelos laboratórios. Hoje, o chamado ensaio de proficiência é feito com 20 análises anuais. As empresas têm conhecimento sobre as amostras enviadas para este teste. "Este processo não é 100% eficiente. A melhor forma de apurar o desempenho é obter análises feitas sem qualquer tipo de preparação, feitas dentro da rotina do laboratório", diz o pesquisador do Centro de Solos e coordenador do Programa de Laboratórios do IAC, Heitor Cantarella. Esta foi a principal decisão da 19ª Reunião Anual do Programa de Laboratório IAC realizada em Campinas.

O mercado de análises laboratoriais de solo no Brasil é formado por uma demanda entre 450 mil e 500 mil por ano, um negócio de pelo menos R$ 6,7 milhões. Uma receita pequena para a demanda de investimentos do setor, afirma Cantarella. Cada análise básica custa em média R$ 15. O valor, segundo o pesquisador, não remunera adequadamente os laboratórios e compromete investimentos no aprimoramento de controles para análise e em treinamento de pessoal.

Por enquanto, esta deficiência não tem afetado de forma preocupante os diagnósticos apresentados. Segundo o IAC, os resultados das análises feitas pelos laboratórios são considerados "satisfatórios", mas podem melhorar. A situação está divida em duas partes: para as análises básicas (que avaliam sete parâmetros) o resultado é satisfatório para 91% dos testes; para as análises de micronutrientes os testes são satisfatórios para 90% das amostras.

Embora importante, a análise de solos não atende a toda a agricultura brasileira, segundo o IAC. Entre as áreas com culturas de grande retorno comercial a realização de análise de solo chega a 90% da área agrícola. Mas entre os pequenos agricultores, focados nas lavouras para subsistência, apenas 40% das áreas são avaliadas antes do plantio. É grande a importância de uma boa avaliação da terra.

Em análises básicas, pode-se ver o volume de matéria orgânica, a acidez e a disponibilidade de nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio. Uma tendência, identificada pelo IAC, é o crescimento das análises de micronutrientes, mais detalhadas e com maior gama de informações. Este tipo de estudo mede a concentração de alguns nutrientes importantes para as culturas, entre os quais ferro, cobre, manganês, zinco e o boro.

"Antes do plantio é importante a realização destas análises. O agricultor que ignora este procedimento pode estar reduzindo a produtividade da área. Depois de algum tempo, o solo perde nutrientes que precisam ser repostos", afirma Cantarella.

Segundo o pesquisador, os solos do Brasil são, em geral, pobres de nutrientes, sobretudo em áreas novas, como o cerrado. Ainda hoje, a correção do solo é considerada pelos produtores um custo e não um investimento. Números do IAC indicam que a manutenção da fertilidade do solo pode ficar entre 20% e 30% do custo da produção agrícola. Uma mudança desta mentalidade poderia, afirma o pesquisador, ampliar a produtividade da agricultura brasileira. O País consome por ano em fertilizantes cerca de 20 milhões de toneladas de NPK - sigla para Nitrogênio, Fósforo e Potássio -, um negócio de R$ 2 bilhões/ano.


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