IAC lança variedades de cana para o Cerrado

Agronegócio

IAC lança variedades de cana para o Cerrado

Instituto paulista também desenvolve variedades específicas para países da África e para o México
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O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, vai lançar no fim do ano quatro novas variedades de cana, das quais duas delas são adaptadas para a região do Cerrado brasileiro.

Na última terça-feira, o instituto paulista realizou um dia de campo em Goianésia (GO), na sede da usina Jalles Machado. Este evento foi considerado estratégico para o Estado de São Paulo, uma vez que dará início à "exportação" da tecnologia canavieira para as novas fronteiras do país.

O grupo sucroalcooleiro Jalles Machado integra, desde 1994, o projeto de melhoramento genético de cana do IAC. Outras companhias que fizeram investimentos fora do eixo paulista também aderiram ao programa do instituto. Só em Goiás são 13 unidades produtoras que se associaram ao programa. Nos últimos anos, o Estado registrou um crescimento relâmpago de sua produção de cana, uma vez que grandes grupos anunciaram pesados aportes em projetos "greenfield" (construção a partir do zero) em Goiás.

As pesquisas de variedades de cana voltadas para as novas fronteiras agrícolas desenvolvidas pelo IAC começaram há alguns anos, explicou Marcos Landell, coordenador do centro de cana do instituto paulista. "Em 1994, o IAC redesenhou seu programa estratégico e decidiu ampliar sua rede de experimentos em campo", afirmou Landell.

O IAC colocou no mercado 38 variedades de cana-de-açúcar desde 1959, quando começou a desenvolver material genético para o setor sucroalcooleiro.

Das variedades lançadas pelo instituto, sete foram adaptadas para a região do Cerrado, mas nenhuma ainda tinha sido voltada para uma região específica. Nos próximos dois anos, o IAC terá matéria-prima própria para Goiás.

Há cerca de quatro anos, também foi iniciado um trabalho pioneiro no oeste baiano. "A região do oeste baiano também é considerada Cerrado, mas com altitude diferente", afirmou Landell. Nessas regiões, as novas variedades de cana têm grande tolerância à seca, uma vez que as áreas voltadas para o plantio possuem restrições hídricas.

Além de Goiás e do oeste baiano, o IAC também está desenvolvendo desde 2007 pesquisas voltadas para os canaviais de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão e Pará.

No exterior, o IAC também deu passos mais ambiciosos. Segundo Landell, o instituto tem encomendas feitas pelo México e Angola. "O México tem um histórico de baixa produtividade no setor canavieiro e, em Angola, o país está praticamente em reconstrução depois da guerra civil."

Os países africanos estão incentivando a produção de cana para produzir etanol. Em Angola, o grupo Odebrecht possui um projeto avançado de usina para produzir etanol. Já em Moçambique, onde a Açúcar Guarani, controlada pelo grupo francês Tereos, tem uma unidade produtora, o governo local quer atrair mais investimentos estrangeiros.

"Estamos coordenando cursos com representantes de países africanos e do México para que eles possam ampliar os conhecimentos sucroalcooleiros", afirmou Marcos Landell.


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