ICMS alto no RS dificulta comercialização de trigo excedente do estado

Agronegócio

ICMS alto no RS dificulta comercialização de trigo excedente do estado

600 mil toneladas devem ficar "presas"
Por: -Leonardo Gottems
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O alto percentual de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do Rio Grande do Sul deve dificultar as opções de comercialização do excedente do trigo do estado. A avaliação é do analista sênior da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco.

Em setembro de 2014 o governo do RS reduziu a alíquota de ICMS sobre o trigo que saía do estado de 12% para 8%. No entanto, logo a seguir o Paraná reduziu o mesmo imposto para 2%, tornando obsoleto o movimento feito pelo governo gaúcho – situação que perdura ainda hoje, dois anos depois. 

“Isto se torna particularmente importante diante da perspectiva de produção de uma safra com excedente previsto em aproximadamente 600 mil toneladas, calculado entre as 1,5 milhão de tons consumidas no próprio estado e a produção de 2,1 milhões de tons prevista para a safra 2016/17. Quais as consequências disto? O trigo produzido no Rio Grande do Sul fica ‘preso’ no estado, não sendo competitivo para a venda para outros estados, no mercado interno e não podendo ser exportado, porque os preços da exportação estão 45% abaixo dos preços pagos no mercado interno. Bom para os moinhos do estado? Não, senhor!”, comenta Pacheco. 

Segundo ele, essa situação pode ser extremamente ruim no longo prazo, porque desestimula o plantio e a pesquisa. No futuro, poderá ainda obrigar estes mesmos moinhos a comprar trigo de fora do estado (importado ou de outros estados) a preços maiores e com logística pesada. 

“Para cooperativas e cerealistas a redução de área significa menos negócios de insumos, transportes, armazenagem e ocupação da mão de obra fixa e, para o agricultor, todas aquelas perdas citadas pelos agrônomos sobre rotação de cultura, incorporação de mais ingredientes no solo, redução de custos das lavouras de verão, etc. Então, esta situação não é boa para ninguém. A rigor, pensando bem lá no fundo, se o estado gaúcho não fizer algum investimento direto sobre o trigo, também não poderia cobrar imposto sobre o trigo. E qual o investimento feito pelo estado neste setor?”, questiona.

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