Importações brasileiras de trigo em ritmo lento


Agronegócio

Importações brasileiras de trigo em ritmo lento

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A excessiva dependência dos moinhos nacionais do trigo argentino e a menor oferta naquele país nesta safra vêm provocando uma redução de quase 7% nas importações brasileiras nos últimos 04 meses. Com a redução na produção Argentina, estima-se que as exportações no país serão inferiores nesta safra em pelo menos 3,0 milhões ton.

Certamente o país mais prejudicado é o Brasil, onde mais de 80% das compras externas de trigo em grão provém do mercado argentino. O inverso também é verdadeiro, já que do total exportado pela Argentina, mais de 80% também tem como destino o Brasil.

Segundo informações disponíveis, a Argentina exportou até a semana passada 3,875 milhões ton de trigo da produção colhida no final do ano passado, cerca de 52% do potencial esperado para esta safra. No ano passado, neste mesmo período, os argentinos já haviam exportado 8,460 milhões ton da safra 2001/02, referente a 80% do potencial daquela safra.

Mas a menor oferta no país este ano provavelmente não é o único motivo para os lentos embarques. Com um grande mercado consumidor a sua disposição e o peso um pouco mais valorizado em relação ao dólar, os produtores argentinos vêm retendo mais seu produto a espera de melhores preços e condições de venda nos próximos meses, basicamente em virtude do início da entressafra no país.

Mas com o mercado argentino em alta e na direção contrária das Bolsas americanas, a tendência neste ano é que as indústrias brasileiras continuem buscando outros mercados alternativos, tal como o ocorrido no ano passado.

Nos últimos 05 meses, a partir do início mais efetivo das exportações da nova safra argentina, o Brasil importou 2,063 milhões ton de trigo em grão. Cerca de 84% deste volume se originou na Argentina, ao preço médio FOB origem de US$ 157,0/ton.

No mesmo período da safra passada as importações brasileiras haviam atingido 2,213 milhões ton, sendo que 95% em média se originou na Argentina, ao preço médio FOB origem muito mais baixo de US$ 117,0/ton.

Assim, a participação do trigo argentino no mercado interno reduziu-se bastante nestes primeiros meses de safra, reflexo não somente da menor disponibilidade no país, mas também dos preços mais competitivos em outros mercados, como o americano e o asiático, especialmente para os consumidores instalados na região Nordeste.

A maior parte das importações brasileiras é de trigo mole, com origem do produto principalmente na Argentina. Em fevereiro, o trigo mole importado deste país teve um custo médio de US$ 147,0/ton FOB origem. Neste mês não houve importações deste padrão de outros países externos ao Mercosul. Mas entre dezembro/2002 e janeiro/2003, por exemplo, as indústrias importaram cerca de 60 mil ton de trigo mole dos Estados Unidos, a um custo médio de US$ 155,0/ton FOB origem.

As cotações do trigo pão na Argentina estão atualmente indicadas a US$ 151,0/ton FOB porto origem, praticamente nos mesmos níveis desde o final do último mês de fevereiro. Na Bolsa de Chicago o trigo está cotado na primeira posição (vencimento futuro) a US$ 108,28/ton. O baixo nível dos preços em Chicago é basicamente o fator limitante a maiores altas no mercado argentino. Se o custo do produto no Mercosul subir muito, os moinhos nacionais certamente direcionarão parte de suas compras a outros mercados.

Esta relação de indicadores entre o Mercosul e os demais mercados mundiais é que definirá os preços no Brasil durante a próxima colheita nacional de trigo.


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