Incidência de ferrugem em MT cai com vazio sanitário

Agronegócio

Incidência de ferrugem em MT cai com vazio sanitário

A adoção do vazio sanitário deverá reduzir drasticamente a fonte de reprodução do fungo que causa a ferrugem asiática da soja para a safra 2007/08
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A adoção do vazio sanitário em Mato Grosso, pelo segundo ano consecutivo, durante o período de entressafra deste ano, deverá reduzir drasticamente a fonte de reprodução do fungo que causa a ferrugem asiática da soja para a safra 2007/08. Com isso, os produtores terão menos prejuízos com a aplicação de fungicidas e melhor produtividade.

O vazio sanitário – que proíbe o cultivo de soja entre 15 de junho a 15 de setembro – prevê a total ausência de plantas de soja em todas as regiões do Estado, conforme as medidas que visam à prevenção, controle e erradicação da ferrugem asiática da soja.

Segundo o coordenador da Comissão de Defesa Vegetal da Superintendência Federal da Agricultura (SFA) em Mato Grosso, Wanderlei Dias Guerra, em 2006 todas as lavouras de soja foram infectadas pela ferrugem asiática. A média foi de quatro aplicações, mas algumas lavouras chegaram a fazer até seis aplicações de fungicidas. Com a adoção do vazio sanitário em 2006, a região de Primavera do Leste – uma das mais afetadas do Estado – reduziu o número de aplicações pela metade. “Os produtores tiveram uma economia de R$ 200 milhões em Mato Grosso só por conta da menor aplicação de fungicidas nas lavouras, além de melhorar os índices de produtividade”, conta.

Para a próxima safra, ele prevê novo aumento de produtividade e um menor registro do número de focos de ferrugem. “Temos notado que a adesão [ao vazio sanitário] tem aumentado consideravelmente em nosso Estado. Acho que isso vai refletir diretamente no resultado da nova safra”.

De acordo com Dias Guerra, no ano passado houve adesão maciça dos produtores ao vazio sanitário. “Para 2007 esperamos aumentar ainda mais esta participação”, diz, lembrando que apenas um plantio irregular foi detectado este ano em Mato Grosso, em uma área de 300 hectares no município de Campo Novo do Parecis (396 quilômetros ao noroeste de Cuiabá).

Áreas liberadas:

Segundo ele, o produtor que cultivar soja no período do vazio sanitário pode ser multado e ter sua plantação destruída. Apenas as áreas de pesquisa com autorização do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) e da SFA podem cultivar a oleaginosa nesse período. Este ano oito lavouras, localizadas em Sorriso, Rondonópolis e Campo Novo - totalizando uma área de 150 hectares - foram autorizadas em Mato Grosso.

Dias Guerra acredita que a ausência da soja irrigada e o clima seco e quente, que impediu a sobrevivência do fungo nas plantas durante a vigência do vazio sanitário, deverão também retardar o início das primeiras ocorrências da ferrugem na safra 2007/08.

O vazio sanitário é uma estratégia de manejo que visa reduzir a presença do fungo Phakopsora pachyrhizi, que é disseminado pelo vento. Desta forma, é possível diminuir a possibilidade de incidência da doença no período vegetativo e, conseqüentemente, reduzir o número de aplicações de fungicida para controle da doença.

De acordo com os pesquisadores em safras passadas, plantios de soja irrigada em regiões de Mato Grosso serviram como uma “ponte verde” para o fungo. Em alguns locais, os primeiros sintomas da ferrugem foram observados quando a soja estava no período vegetativo. Essa ocorrência precoce impõe a necessidade de um maior número de aplicações de fungicidas. O coordenador lembra que os produtores estão conscientes e sabem da instrução normativa, que regulamenta o vazio. “A medida é de prevenção e percebemos que houve uma redução considerável na incidência do fungo causador da ferrugem", disse.

Lei:

De medida recomendatória, a proibição virou em Mato Grosso em dezembro de 2005. A portaria foi fruto de um documento que elaborado em conjunto por produtores e autoridades sanitárias estadual e federal. Até a publicação da portaria, o cultivo de soja em Mato Grosso se dava por todo o ano, sendo, no período de entressafra, sob pivot (irrigado). A portaria estabelece prazos para que o cultivo seja suspenso, tanto ao Norte como ao Sul do Estado. Somente plantio com fins científicos e para reposição de sementes poderão ser executados e por meio de autorização prévia.

O plantio fica suspenso por um prazo de 90 dias. Na região 1, ao norte de Cuiabá, a proibição vale de 15 de junho a 15 de setembro. Para a região Sul, em lavouras abaixo da Capital, vigora a proibição de 1º de julho a 1º de setembro.


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