Agronegócio

Indefinição quanto ao efeito do fenômeno El Niño

A atuação do El Niño deverá ser sentida até o final de março e início de abril
Por: -Neila Baldi
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Apesar de o fenômeno climático El Niño estar atuando no Oceano Pacífico, meteorologistas divergem sobre a quantidade de chuva. A atuação do El Niño deverá ser sentida até o final de março e início de abril do próximo ano. Tradicionalmente, em anos de ocorrência, há maior precipitação no Sul e seca no Nordeste.

Nesta temporada, no entanto, a estimativa é que o fenômeno seja fraco. Por isso, enquanto alguns pesquisadores apostam em chuvas regulares, há quem acredite em níveis inferiores à média e outros, acima. Segundo prognóstico do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul (Coppaaergs), as precipitações serão abaixo do normal em janeiro e regulares nos demais meses do verão. Em meia década, apenas numa safra não houve quebra de produção naquele estado devido ao clima. Por isso, o Governo do Rio Grande do Sul alerta os produtores, sobretudo da Metade Sul do estado, para o uso equilibrado dos recursos hídricos.

De acordo com Dulphe Pinheiro Machado Neto, engenheiro agrônomo da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), até o momento as chuvas têm permitido um bom desenvolvimento da lavoura e uma possível estiagem no mês que vem não deverá representar quebra signi-ficativa de safra, uma vez que o período crítico para a soja, principal cultura nesta época do ano, seria fevereiro. "Os agricultores já plantaram de forma escalonada e muita gente antecipou o plantio", afirma.

"O cenário mais provável para o Sul do País é de normalidade, pois a probabilidade está muito equilibrada", diz Marcelo Seluchi, chefe da Divisão de Operações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo ele, apesar de o fenômeno já estar ocorrendo, por se tratar de um efeito fraco não deverá trazer precipitações acima da média para a região. Os prognósticos, na média do primeiro trimestre, são de 40% para chuvas regulares, 30% para acima e 30% para abaixo do normal. "Como o El Niño é fraco, praticamente não notaremos o efeito dele, vai ser sutil", diz.

Seluchi afirma, no entanto, que como a região viveu anos seguidos com estiagem no verão, o déficit hídrico deve estar grande, com baixa nos reservatórios. "Precisaria chover muito para haver a recuperação mas, no caso da agricultura, se a precipitação for bem distribuída, não sofrerá tanto", acredita.

De acordo com a ClimaTempo Meteorologia, em todo o Sul do País, exceto no Norte do Paraná, a previsão é de precipitações acima do normal. "Nos últimos dois meses as chuvas já foram superiores à média", diz André Madeira, meteorologista da empresa. Ele afirma que poderá ocorrer períodos de veranicos (pequenas estiagens), mas mesmo assim, na média da região, as precipitações serão maiores que os níveis históricos.

Demais regiões

De acordo com as previsões do Inpe, no Sudeste as chuvas devem ser normais ou acima da média, enquanto no Centro-Oeste a tendência é de permanecerem nos patamares históricos. Por sua vez, a ClimaTempo prevê precipitações superiores aos níveis médios no Sul de Mato Grosso do Sul e Leste de São Paulo. No restante do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil as chuvas devem se manter dentro da média histórica.

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