Indústria paranaense prevê reajuste do trigo

Agronegócio

Indústria paranaense prevê reajuste do trigo

A baixa oferta do trigo pode fazer o pãozinho chegar mais caro nas próximas semanas
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O tradicional pãozinho pode chegar à mesa do brasileiro mais caro nas próximas semanas. O motivo é a baixa oferta do trigo - principal matéria-prima do produto - tanto no mercado brasileiro quanto no mundial, além da necessidade de importar o grão de países como Canadá e Estados Unidos.

“A Argentina fechou as licenças de exportação, e o Brasil vai ter que importar trigo do Canadá ou dos Estados Unidos. Isso torna tudo mais difícil e mais caro”, comentou o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Paraná, Rolland Guth. No ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), o Brasil importou cerca de US$ 1 bilhão de trigo argentino - cerca de 6,5 milhões de toneladas. O volume importado do país vizinho representou quase três vezes a quantidade produzida no Brasil, que foi de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

“Essa dependência é negativa e pode comprometer a segurança alimentar. O ideal seria que o Brasil produzisse pelo menos a metade do trigo que consome”, comentou Guth. O consumo nacional de trigo é de aproximadamente 10,4 milhões de toneladas por ano. Segundo Guth, falta uma política brasileira mais clara para o trigo, de médio e longo prazo, que atraia os produtores rurais.

Sobre a alta do preço do produto, Guth destacou que trazer o grão dos Estados Unidos e do Canadá é mais caro do que comprar da Argentina. “Além disso, há a TEC (Tarifa Externa Comum) e um adicional de 25% sobre o frete”, assinalou. O aumento de custo deve ser sentido até meados de setembro, quando se intensifica a colheita do trigo no Brasil.

O Paraná possui o segundo maior parque moageiro do País, com aproximadamente 40 indústrias e capacidade de processar até 1,8 milhão de toneladas de trigo por ano -desse volume, 75% é transformado em farinha e o restante em farelo. Para este ano, a previsão do sindicato é processar cerca de 1,4 milhão de toneladas.

Redução da área

No Paraná, maior produtor nacional de trigo, houve redução de área plantada com trigo para esta safra, passando de 880 mil hectares para 847 mil (queda de 3,7%), segundo dados do Departamento Rural de Economia (Deral), que faz parte da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento. Os motivos da redução, segundo o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, são vários: desde o preço pouco atrativo, a alta nos preços dos insumos até a estiagem, que quebrou metade da safra paranaense de trigo no ano passado, desanimando os produtores. No ano passado, a produção paranaense do grão foi de apenas 1,2 milhão de toneladas.

Para este ano, a previsão é que o Paraná produza 2,055 milhões de toneladas de trigo - volume 4,5% menor do que a previsão inicial. O problema, explicou Hubner, é novamente a estiagem. Desde o dia 24 de maio, lembrou, as chuvas são raras e localizadas. “Em junho, a maior soma de chuva no Estado ocorreu em Paranaguá, com 26 mililitros, quando a média para o mês é de 150 mililitros”, comparou. Até agora, 91% do trigo já foi plantado no Estado, restando ainda parte do sudoeste e o sul. Já o período de colheita se inicia em agosto e se estende até o final de novembro. “Tem que chover o quanto antes para que não haja mais perdas”, arrematou.

Estoque mundial é um dos mais baixos da história

Não é apenas o Brasil que tem que se preocupar em elevar a produção de trigo. Em nível mundial, o estoque do grão é um dos mais baixos dos últimos 25 anos: cerca de 116,6 milhões de toneladas. Segundo Otmar Hubner, do Deral, a situação só é melhor do que a safra 81/82, quando o estoque mundial do trigo era de 112,5 milhões de toneladas.

“Outro dado que preocupa é a relação entre o estoque e o consumo, uma das mais baixas da história”, destacou o engenheiro agrônomo. Em outras palavras, o consumo está aumentando e a oferta não consegue acompanhar. Atualmente, segundo Hubner, a relação é de 19%. “A mais baixa, até então, era de 21%, entre 30 e 40 anos atrás”, apontou.

Sobre o preço médio do produto, ele está em R$ 27,09 a saca; um ano atrás a mesma quantidade custava R$ 19,42. Em setembro do ano passado, no início da comercialização, a saca do trigo custava R$ 22,00 em média. Passou para R$ 26,00 em outubro, para R$ 27,54 em novembro e caiu para R$ 26,30 em dezembro. Sobre os preços para esta safra, Hubner prefere não arriscar. “Depende do mercado internacional”, ponderou.

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