Indústria suspende compras de áreas de desmatamento

Agronegócio

Indústria suspende compras de áreas de desmatamento

Coteminas e Vulcabras cancelam fornecimento de pecuaristas acusados de crime ambiental pelo MPF
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Depois das redes varejistas, grandes indústrias, atacadistas e empresas de serviços suspenderam compras de matérias- -primas de pecuaristas acusados de criar gado em área de devastação ambiental na Amazônia. Ontem, Coteminas e Vulcabras afirmaram que receberam a notificação do MPF (Ministério Público Federal) do Pará e que pararam de comprar dos denunciados.

A empresa de refeições coletivas Gran Sapore também foi notificada e diz que cumprirá a determinação do MPF.

O Makro diz ter se reunido com seu fornecedores de carnes, após denúncia da ONG Greenpeace, e exigido garantias de que não compram gado de regiões desmatadas. Caso não sejam fornecidas, o atacadista diz que adotará medidas severas, como a suspensão da compra de carne da região.

"Comprávamos botas de segurança para nossas indústrias da Bracol. Fomos notificados pelo Ministério Público e já a retiramos de nossa lista de fornecedores", afirma Josué Christiano Gomes da Silva, presidente da Coteminas.

Segundo ele, a Coteminas tem cláusulas ambientais rígidas para os fornecedores de algodão, que estão ligados diretamente à atividade-fim da empresa. "Acompanhamos os produtores de maneira próxima, mas rastrear todos os fornecedores é bastante difícil." A Vulcabras, dona das marcas Reebok, Olympikus e Azaleia, também informou, por e-mail, que foi notificada e está cumprindo a determinação do MPF.

Nesta semana, as maiores redes supermercadistas do país -Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart- suspenderam as compras de carnes das fazendas denunciadas pelo MPF.

No início do mês, o órgão ajuizou 21 ações civis públicas pedindo indenização de R$ 2,1 bilhões de pecuaristas e frigoríficos que comercializaram animais criados em fazendas desmatadas ilegalmente. Notificou, também, 69 compradores dos frigoríficos sobre a possibilidade de corresponsabilização por crime ambiental.

Entre os denunciados estão Bertin e Minerva, dois dos maiores frigoríficos do país. O Bertin diz atender aos critérios legais para compra de gado. O Minerva informou, em comunicado, que suspendeu a compra de bois e de carne provenientes de fazendas e empresas da região, "como precaução".

Ontem, o Bertin informou que sua parceria com a IFC (Corporação Financeira Internacional), do Banco Mundial, foi interrompida. A IFC fez um empréstimo de US$ 90 milhões ao Bertin, mas nem todas as parcelas foram repassadas. Segundo o Bertin, a descontinuidade foi provocada pelo cenário econômico. A IFC informou que a suspensão foi acordada em maio, antes das denúncias.


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