Agronegócio

Indústrias de rações vão repassar custos ao consumidor

As indústrias estimam acumular uma alta de 12% no custo de produção
Por: -Redação
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As indústrias de rações estimam acumular uma alta de 12% no custo de produção, no período de setembro de 2006 a março deste ano, devido à elevação do preço do milho no mercado internacional, que se refletiu no País. Avicultura e suinocultura - que juntas absorvem 83,1% da produção de rações no Brasil - admitem que terão de pagar mais pelo cereal e que irão repassar a alta aos consumidores. No entanto, ainda temem a falta do produto. Analistas acreditam que o País poderá exportar 7 milhões de toneladas do grão - 1 milhão de toneladas. A safra estimada pelo governo é de 44,6 milhões de toneladas, com consumo de 39,5 milhões de toneladas e um estoque atual de 3 milhões de toneladas.

"Teoricamente, mesmo que exportemos este volume, ainda haverá milho", acredita o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Edilson Guimarães. Ele diz que o governo está garantindo o abastecimento por meio de leilões de estoques - 1 milhão de toneladas já foram desovadas. "Logo começa a safra e não precisaremos vender mais, sobrando para a entressafra", avalia Guimarães.

"Precisamos evitar que esse milho vá embora. É melhor que a gente exporte com valor agregado, ou seja, como frango ou suíno", avalia Clóvis Puperi, diretor-executivo da União Brasileira da Avicultura (UBA). Segundo ele, "a febre do etanol", vai pressionar as compras do milho brasileiro, pois os Estados Unidos devem tirar do mercado externo o volume que vão usar para a produção do combustível.

O milho representa cerca de 60% dos componentes das rações. Puperi diz que é praticamente impossível substituí-lo por sorgo, uma vez que a produção é insuficiente - 1,6 milhão de toneladas - e, por se tratar de uma gramínea, não tem o desempenho em termos de conversão alimentar igual ao milho.

O secretário-executivo do Sindicato Nacional da Alimentação Animal (Sindirações), João Prior, também não acredita em uma substituição do milho por outro produto. Ele explica que em épocas de alta do milho e da soja, é comum o industrial substitui-los por sorgo, triguilho e trigueto - variedade de trigo com menos glúten. No entanto, não haverá uma mudança consolidada, ou seja, o percentual de milho na mistura da ração não será reduzido permanentemente. "O que vai acontecer é que a agricultura brasileira vai se adaptar à demanda crescente e não o contrário", afirma o executivo.

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