Inseminação cresce no Brasil e já movimenta R$ 400 milhões
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Agronegócio

Inseminação cresce no Brasil e já movimenta R$ 400 milhões

Foram 11,9 milhões de doses de sêmen bovino vendidas no ano passado
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Procedimento está em franca expansão, com 11,9 milhões de doses de sêmen bovino vendidas no ano passado - 23,5% a mais do que em 2010 - e importação avança 

São Paulo - As inseminações artificiais vêm crescendo em ritmo acelerado na pecuária brasileira, com 11,9 milhões de doses de sêmen bovino vendidas em 2011. O número representa aumento de 23,5% sobre o total de 2010 e o principal destino da técnica é o gado de corte, de acordo com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia).


O presidente da entidade, Lino Rodrigues Filho, estima que o valor movimentado pelo segmento em 2011 fique em torno de R$ 350 a R$ 400 milhões - o valor de uma dose de sêmen varia entre R$ 8 e R$ 200. Atualmente, apenas 2% das matrizes, em média, advêm da técnica, mas o representante espera que em dez anos o percentual cresça para 15%.

"As perspectivas continuam muito fortes. Como está havendo uma demanda crescente pela carne e pelo leite, o produtor está interessado em tecnologias que incrementem sua eficiência", disse Rodrigues Filho, que se reunia ontem com empresários do ramo. "Entre o frigorífico e o distribuidor, há um mercado de R$ 55 bilhões. E tudo começa na inseminação", acrescentou.

As raças nelore e angus são as mais procuradas por pecuaristas interessados no procedimento: a primeira delas, de origem brasileira, movimentou mais de três milhões de doses no ano passado; a segunda, totalmente importada, 1,2 milhão.

As importações do segmento correspondem a 43,1% de participação de mercado, sendo que em 2011 foram responsáveis pela venda de 5,1 milhões de doses. O sêmen bovino nacional toma parte em 56,8% do total, com 6,7 milhões de doses vendidas no ano passado.


Até 2008, o principal destino das inseminações artificiais no Brasil era o gado leiteiro. A partir de então, o boi de abate se estabeleceu como a maior demanda do procedimento. No ano passado, as doses de sêmen destinadas ao gado de corte chegaram a mais de sete milhões, com crescimento de 26,8%, em relação a 2010. Para a produção de leite, comercializou-se 4,8 milhões de doses - alta de 19,1% ante o ano anterior.

"O mercado tem crescido muito porque tanto o produtor de carne quanto o de leite tem procurado mais eficiência para seu negócio, com maior produtividade e mais rentabilidade", afirmou o gerente comercial da CRV Lagoa, uma empresa do ramo, Antonino Bosco, que ontem se reunia com representantes do mesmo negócio que ele.

Para Bosco, a vantagem da inseminação artificial está no melhoramento genético dos animais. Touros preparados para ter mais peso com menor idade na hora do abate, vacas que produzem mais leite do que o normal e a possibilidade de se ter um pasto com variedades amplas de raça entram nessa questão de gene.


"O produtor ainda pode escolher os touros que vai cruzar, com acasalamento seletivo, para fazer correções de genótipo e fenótipo, por exemplo", explicou Bosco.

Segundo ele, o mercado de inseminação artificial é dividido por cinco empresas maiores e cerca de quinze de porte menor. No caso da CRV, a companhia faturou R$ 60 milhões no ano passado, tendo crescido acima de média de mercado. Para 2012, "esperamos manter os níveis de crescimento. O mercado vai continuar aquecido", declarou.

Breve história

A inseminação artificial foi utilizada pela primeira vez em 1332, em equinos, pelos árabes. Mas a história registra como marco inicial da inseminação artificial o ano de 1784, quando o monge italiano Lázaro Spallanzani demonstrou pela primeira vez que seria possível realizar a fecundação sem contato sexual, e botou isso em prática com cães. Em 1949, pesquisadores ingleses demonstraram que o sêmen podia ser conservado por longo tempo a baixas temperaturas.

Atualmente, muitos países inseminam quase a totalidade de seus rebanhos bovinos. Calcula-se que mais de 106 milhões de fêmeas sejam anualmente inseminadas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que apenas 10% das fêmeas em idade reprodutiva são inseminadas. A primeira inseminação que se tem notícia no País data de 1940, porém comercialmente a técnica somente alcançou impulso a partir de 1970. (História fornecida pela Asbia.)

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