Insumos derrubam poder de compra do produtor de leite

Agronegócio

Insumos derrubam poder de compra do produtor de leite

A tendência é de volumes recordes até dezembro - tradicionalmente o mês com maior captação. Com isso, as cotações do produto tendem a se arrefecer
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A alta dos insumos diminuiu o poder de compra dos produtores de leite no mês passado, mas apesar disso a valorização dos preços do leite no ano e a volta das chuvas devem garantir a continuidade do aumento da captação - que está em alta há três meses. A tendência é de volumes recordes até dezembro - tradicionalmente o mês com maior captação. Com isso, as cotações do produto tendem a se arrefecer, mas ficarem em patamares superiores aos de 2006. A expectativa é que a produção brasileira aumente entre 5% a 6% ante aos 2,3% do ano passado, quando o volume chegou a 25 bilhões de litros.

Segundo analistas, a expectativa é que neste mês os preços pagos aos pecuaristas caiam. Entre os laticínios consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) e a Scot Consultoria mais de 60% - em ambas as pesquisas - demonstraram intenção de reduzir as cotações e cerca de 30% de manter os patamares - entre R$ 0,76 a R$ 0,80 o litro. "O leite, que foi o vilão da inflação, pode ajudar a derrubá-la", diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores.

Cristiane de Paula Turco, da Scot Consultoria, explica que quando analisados os oito concentrados que compõem a suplementação alimentar o poder de compra do produtor aumentou 23,27% em setembro na comparação com o mesmo período do ano passado porque o preço do leite subiu mais que o dos insumos no período - 58,8% contra 24%. No entanto, o milho é o principal ingrediente e, neste caso, houve perda. Em setembro do ano passado, um litro de leite comprava 2,06 quilos de milho. No mês passado a equação era de 2,01 quilos por litro. No período, a melhor relação de troca ocorreu em julho: 2,77 quilos de milho para um litro de leite, segundo a Scot Consultoria.

De acordo com Cristiane, quando a comparação é apenas de setembro com agosto, os números mostram que começa haver perda de poder de compra em todos os oito concentrados. Estes produtos tiveram reajuste de 12%, enquanto a valorização do leite foi de apenas 2,5%. "Mas a partir de agora, com as chuvas, as vacas voltam para o pasto", diz a analista.

Os preços do leite mais elevados durante todo o ano é que estimularam o aumento da captação mesmo na entressafra. O índice do Cepea foi de 129,58 - recorde. Segundo Gustavo Beduschi, pesquisador do Cepea, a volta das chuvas indica que os volumes devem continuar recordes. "Com isso, haverá acomodação dos preços, mas não há limite para quedas acentuadas", diz Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária Leiteira da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em sua avaliação os valores de R$ 0,40 a R$ 0,50 o litro praticados no ano passado não devem se repetir.


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